‘Vote pelo Clima’: somente 26 candidaturas da Amazônia Legal sinalizam propostas de enfrentamento à crise climática
As eleições de 2026 são disputadas em um contexto bem diferente de décadas atrás. Além de pautas como economia, saúde e saneamento, os políticos eleitos devem enfrentar desafios climáticos, como calor extremo, secas severas e enchentes. Os estados do Amazonas e Pará, por exemplo, já declararam situação de emergência de forma preventiva em diferentes momentos. Mas quantas candidaturas da Amazônia Legal assumiram o compromisso público de defesa da agenda climática? Segundo a plataforma “Vote pelo Clima“, lançada pela organização Clima de Política, houve somente 26 candidaturas.
A iniciativa reúne candidaturas que assumem compromissos públicos relacionados ao enfrentamento da crise climática em todo o Brasil e busca oferecer aos eleitores um espaço para consultar propostas ligadas à proteção da floresta, dos povos indígenas e comunidades tradicionais, saneamento, redução de desastres e outras pautas socioambientais.
Ao todo, 23.939 candidaturas estão cadastradas na plataforma, sendo apenas cerca de 10% da Amazônia Legal (26), região formada por nove estados que compartilham o bioma: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão.
O processo de inscrição das candidaturas é voluntário, realizado pelo próprio candidato ou candidata ou sua equipe. “A plataforma faz esse match entre esses dois perfis: os candidatos engajados e os eleitores que procuram um voto mais consciente no que diz respeito ao nosso presente e ao nosso futuro”, enfatiza Guilherme Tampieri, coordenador de projetos e programas do Clima de Política.
Na avaliação de Tampieri, a pauta climática deve ir além de propostas voltadas exclusivamente ao meio ambiente. Questões como saneamento básico, acesso à água, educação, mobilidade e qualidade do ar também fazem parte da adaptação às mudanças climáticas e estão diretamente ligadas às competências de governadores, senadores e deputados estaduais.
O coordenador destaca que os estados têm papel central na preparação dos municípios para enfrentar eventos extremos, seja fortalecendo a capacidade institucional das prefeituras, seja criando legislações de proteção ambiental e planos de adaptação. “É fundamental que os candidatos ao Legislativo e ao Executivo, no âmbito dos estados, tenham espaço para falarem sobre esse tema”, acrescenta.
Atualmente, segundo ele, apenas quatro estados brasileiros possuem um Plano de Ação Climática (nenhum deles da Amazônia Legal), instrumento que orienta políticas públicas para mitigação e adaptação.
“Os outros 23 estados e o Distrito Federal ainda carecem desse instrumento, que é fundamental para lidar com mais robustez com as mudanças climáticas nos territórios”, afirma. Ele também aponta que senadores podem contribuir para estruturar essa governança por meio da destinação de emendas e da articulação de políticas públicas voltadas aos estados.
Outra agenda destacada pela plataforma é a qualidade do ar. Tampieri explica que medidas como a eletrificação da frota de ônibus reduzem simultaneamente a emissão de gases de efeito estufa e a poluição atmosférica, gerando impactos positivos para a saúde pública e para o clima.
Candidaturas “pelo clima” na Amazônia Legal
Entre as 26 candidaturas cadastradas na plataforma nos nove estados da Amazônia Legal, duas disputam governos estaduais, cinco concorrem ao Senado, 12 à Câmara dos Deputados e sete às assembleias legislativas. A relação, por estado, é a seguinte:
Acre (4)
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Professor Inácio Moreira (PSOL) – Senado Federal
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Minoru Kinpara (MDB) – Câmara dos Deputados
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Juliet (Cidadania) – Câmara dos Deputados
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Cacique Ninawa Inu Huni Kuī (PT) – Câmara dos Deputados
Amapá (2)
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João Capiberibe (PSB) – Senado Federal
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Harife Viegas (Rede) – Câmara dos Deputados
Amazonas (4)
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Ana Roque (UP) – Câmara dos Deputados
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Marília Freire (PCdoB) – Câmara dos Deputados
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Professor Welton Oda (PSOL) – Câmara dos Deputados
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Prof. Evany (PSOL) – Senado Federal
Mato Grosso (3)
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Lúdio Cabral (PT) – Assembleia Legislativa/Câmara Legislativa
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Professora Graciele (PCdoB) – Câmara dos Deputados
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Mara Badan (PDT) – Assembleia Legislativa/Câmara Legislativa
Pará (8)
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Vanuza Quilombola (Rede) – Assembleia Legislativa/Câmara Legislativa
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Alessandra Munduruku (PT) – Câmara dos Deputados
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Mayra Marques (PDT) – Câmara dos Deputados
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Araceli (PSOL) – Governo do Estado
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Vivi Reis (PSOL) – Câmara dos Deputados
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Auricelia Arapiuns (PSOL) – Assembleia Legislativa/Câmara Legislativa
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Gizelle Freitas (PSOL) – Senado Federal
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Allan Pombo (PDT) – Assembleia Legislativa/Câmara Legislativa
Rondônia (1)
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Neidinha (PSB) – Senado Federal
Roraima (1)
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Uédem Makuxi (MDB) – Câmara dos Deputados
Tocantins (1)
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Avanilson Karajá (PV) – Assembleia Legislativa/Câmara Legislativa
Maranhão (2)
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Nonato Moraes (PSOL) – Assembleia Legislativa/Câmara Legislativa
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Saulo Arcangeli (PSTU) – Governo do Estado
Fonte: Vote pelo Clima. Levantamento atualizado em 21 de setembro de 2026.
Sobre a plataforma – A iniciativa é do Instituto Clima de Política, uma organização da sociedade civil independente e apartidária, criada com o objetivo de contribuir com a transição climática justa no Brasil. Cada candidatura inscrita na plataforma pode apresentar até cinco propostas de campanha alinhadas a uma das 20 bandeiras do “Vote pelo Clima”, que incluem água e saneamento, alimentação e agricultura, educação, energia renovável, meio ambiente, moradia, povos indígenas e comunidades tradicionais, redução de desastres, saúde e transporte, entre outros temas.
A plataforma é suprapartidária e estabelece quatro critérios para participação: ter candidatura registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não propagar discursos de ódio na internet, não possuir histórico de crimes ambientais e aderir a quatro compromissos mínimos da iniciativa, entre eles a defesa da democracia, o enfrentamento da crise climática, a proteção dos direitos humanos e da justiça climática e o respeito aos limites ecológicos do planeta.
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