‘Segundo turno’ esperança também se constrói com políticas que cuidam da vida
Vívian Marler / Projeto Encantar a Política
Saúde pública, proteção social e respeito aos povos e comunidades tradicionais mostram como o cuidado com o próximo pode ganhar forma concreta, e por que iniciativas públicas precisam ser avaliadas pelos seus resultados.
Com a aproximação do segundo turno das eleições de 2026, o debate público pode ir além das disputas e se voltar para uma pergunta essencial, que condições permitem às pessoas viver com dignidade? A resposta passa por direitos e serviços que fazem diferença no cotidiano, como acesso à saúde, a medicamentos e a políticas que respeitem a história e os modos de vida de diferentes comunidades.
O Sistema Único de Saúde (SUS) é uma rede pública universal, não atende somente pessoas de baixa renda. Quem não tem plano de saúde pode depender diretamente de seus serviços; e mesmo quem tem cobertura privada pode recorrer a ações e serviços públicos. Essa característica ajuda a entender por que a saúde pública diz respeito a toda a sociedade.
Outro exemplo é o Programa Farmácia Popular. Em informação publicada em setembro de 2026, o Ministério da Saúde afirma que o programa está presente em cerca de 5 mil municípios e oferece gratuitamente diversos medicamentos e insumos, incluindo fraldas geriátricas e absorventes. A pasta informa ainda que as mulheres representam mais de 63% dos atendimentos e que quase 71% dos beneficiários são pessoas idosas. Os dados ajudam a dimensionar o alcance do serviço, mas também reforçam a importância de acompanhar sua cobertura e continuidade. (https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias-ms/2026/setembro/mulheres-representam-mais-de-63-dos-atendimentos-do-farmacia-popular-no-pais)
O cuidado com a vida também exige atenção aos povos indígenas, às comunidades quilombolas e a outros povos e comunidades tradicionais. O Ministério do Desenvolvimento Agrário informa que há políticas específicas voltadas a esses grupos e que povos e comunidades tradicionais estão incluídos entre os públicos da política de agricultura familiar. Para que essas iniciativas produzam efeitos duradouros, é fundamental respeitar a participação das comunidades, seus territórios, seus conhecimentos e suas formas próprias de organização. (https://www.gov.br/mda/pt-br/assuntos/povos-e-comunidades-tradicionais/politicas-publicas-para-povos-e-comunidades-tradicionais)
Empresas, organizações sociais e comunidades também podem contribuir com projetos que ampliem oportunidades e respondam a necessidades locais. Esse apoio, porém, precisa ser transparente, é importante saber quem participa, quais recursos são destinados, quem define as prioridades e que mudanças foram alcançadas. Solidariedade e parceria ganham consistência quando respeitam os direitos das pessoas e podem demonstrar resultados.
À luz do Evangelho, cuidar do próximo significa reconhecer sua dignidade e não permanecer indiferente diante de suas necessidades. Essa inspiração pode fortalecer a busca por uma sociedade em que saúde, proteção e oportunidades não sejam privilégios, mas compromissos compartilhados.
No período eleitoral, avaliar políticas públicas com responsabilidade também faz parte do cuidado com o bem comum, é preciso distinguir anúncio de execução, conhecer os dados e ouvir as pessoas diretamente atendidas. A esperança não dispensa a análise dos fatos; ela se alimenta de ações concretas, participação e compromisso com a vida.
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O projeto ‘Encantar a Política’ tem a proposta de compreender a política como serviço ao bem comum, ensino social, à dignidade humana e à defesa da Casa Comum. É uma iniciativa inspirada na Doutrina Social da Igreja e nas encíclicas Fratelli Tutti entre outras. Siga nosso instagram https://www.instagram.com/encantarapolitica/
