‘Abstenção’ na democracia pede participação e escuta
Vívian Marler / Projeto Encantar a Política
Às vésperas do segundo turno, discutir a ausência nas urnas também exige compreender seus limites, os números, através do https://ondedapraconversar.vercel.app mostra no raio onde estão as pessoas que deixaram de votar e com base na quantidade de votos de outros candidatos (ou nulos/brancos) quantos votos são passíveis de “conversão” e qual abordagem utilizar. Mostram quantas pessoas não compareceram, mas não revelam, por si só, os motivos de cada eleitor.
Segundo a Radio Senado mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições. A abstenção chegou a 21,08% do eleitorado, o maior índice desde 1998. Também foram registrados 2,2 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de nulos, quase 6 milhões no total. Brancos e nulos não entram na contagem dos votos válidos e não beneficiam nenhum candidato.
O segundo turno das Eleições 2026 está previsto para 25 de outubro. Nesse contexto, a abstenção merece atenção pública, não como um conjunto de votos que possa ser atribuído a qualquer candidatura, mas como um fenômeno que pede informação, escuta e respeito à liberdade de cada pessoa.
Uma taxa de ausência não explica, sozinha, por que alguém deixou de votar. Dificuldades de deslocamento, saúde, trabalho, desânimo ou outras circunstâncias podem estar entre os motivos; para saber o peso de cada fator, são necessárias pesquisas específicas. Por isso, dados eleitorais por região não devem ser usados para presumir as convicções ou as intenções de quem não compareceu.
O mesmo cuidado vale para os votos brancos e nulos, eles não indicam automaticamente apoio a uma alternativa nem disposição para mudar de escolha. A conversa sobre democracia também inclui a avaliação de políticas públicas que fazem parte do cotidiano.
Um exemplo é o Farmácia Popular. Em dados divulgados em setembro de 2026, o Ministério da Saúde informou que o programa estava presente em cerca de 5 mil municípios e oferecia gratuitamente diversos medicamentos e insumos. A pasta registrou ainda que, entre 2023 e 2025, o número de usuários passou de 21,9 milhões para mais de 27,3 milhões. Esses números ajudam a dimensionar o alcance do programa e acompanhar a disponibilidade dos medicamentos, a continuidade do atendimento, as diferenças entre regiões e os resultados para quem utiliza o serviço.
Esse rigor é importante ao analisar qualquer política, distinguir anúncio de execução, verificar quem foi atendido e observar se os benefícios chegaram às comunidades. Dados sobre programas sociais e serviços públicos podem contribuir para o debate eleitoral, ao serem apresentados com contexto, para que se possa discenir sobre a verdade e as fake news amplamente divulgada por quem, que às vezes até usufrui dos benefícios, mas se mascara em troca de algo momentaneo.
A democracia se fortalece quando as pessoas têm informação confiável, condições para participar e liberdade para decidir diante de fatos reais. A abstenção merece ser estudada para compreender barreiras e melhorar a participação, não para presumir escolhas nem converter cidadãos em alvos de estratégias eleitorais.
fontes para conferência: https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Setembro/faltam-24-dias-mais-de-918-mil-brasileiros-estao-aptos-a-votar-no-exterior
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