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Democracia se constrói todos os dias, lembra programa Hora da Família

Democracia se constrói todos os dias, lembra programa Hora da Família

Vívian Marler / Projeto Encantar a Politica

A democracia costuma ganhar maior visibilidade durante o período eleitoral, quando as ruas recebem campanhas, os debates se intensificam e os eleitores são chamados às urnas. Mas a participação cidadã não começa nem termina no dia da votação.

Essa foi uma das principais reflexões do programa ‘Hora da Família’, exibido no sábado, 12 de setembro de 2026, com o tema “Eleições 2026: democracia, sinodalidade e bem comum”. O episódio reuniu Ana Célia da Cunha e José Luiz Gomes de Almeida, com mediação de Célia Soares de Sousa. Os participantes integram a Diocese de Guarulhos, em São Paulo.

A conversa foi inspirada em uma publicação das Edições CNBB e propôs uma reflexão sobre a responsabilidade dos cristãos e de toda a sociedade diante das eleições gerais de 2026.

Ao longo do programa, Ana Célia destacou que a política não é uma realidade distante, restrita aos gabinetes ou aos períodos de campanha. Ela está presente nas decisões que afetam a escola dos filhos e netos, o atendimento na saúde, o transporte público, a segurança, a moradia, o meio ambiente e a assistência social. Por isso, negar a política ou tratá-la como algo necessariamente negativo significa também deixar de compreender como a sociedade organiza seus direitos e suas responsabilidades.

A participação política, segundo a reflexão apresentada, não deve ser confundida com apoio automático a candidatos ou partidos. Ela envolve acompanhar a realidade, conhecer propostas, fiscalizar os eleitos e ocupar os espaços disponíveis para a participação popular.

O programa também lembrou que as eleições gerais definirão os ocupantes da Presidência da República, dos governos estaduais, do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e das assembleias legislativas. Cada uma dessas escolhas tem consequências concretas. Presidentes e governadores participam da implementação de políticas públicas. Deputados e senadores elaboram leis e fiscalizam o Poder Executivo. Por isso, o eleitor precisa compreender as atribuições de cada cargo e avaliar se as candidaturas estão preparadas para exercer essas funções.

A eleição não é apenas uma disputa entre nomes. É a escolha de pessoas que tomarão decisões sobre a vida da população, a proteção dos territórios, os serviços públicos e o futuro das próximas gerações. A democracia, nesse sentido, não se resume a escolher representantes. Ela também exige acompanhar o trabalho daqueles que foram eleitos e cobrar coerência entre as promessas de campanha e as decisões tomadas no exercício do mandato.

A proposta de relacionar democracia e sinodalidade amplia a compreensão sobre a participação. Caminhar juntos significa criar espaços de escuta, diálogo e construção coletiva, especialmente com aqueles que costumam ser deixados de lado. Em uma sociedade marcada por conflitos políticos e discursos agressivos, a sinodalidade convida a reconhecer que ninguém possui sozinho todas as respostas. É preciso ouvir diferentes experiências, compreender as necessidades dos territórios e buscar soluções que não atendam apenas a interesses individuais.

Essa atitude também ajuda a superar a ideia de que um partido ou candidato representa todo o bem, enquanto o adversário encarna todo o mal. Os partidos apresentam projetos distintos, e cabe aos eleitores conhecê-los, compará-los e avaliar suas consequências para a sociedade.

Um dos pontos centrais da conversa foi a necessidade de superar escolhas baseadas apenas em relações pessoais ou benefícios individuais. Votar porque determinado candidato é conhecido, amigo ou prometeu ajudar uma família pode limitar a compreensão sobre os impactos mais amplos de uma decisão política.

A reflexão proposta no programa chama os cristãos a olhar para além de seus interesses particulares. É preciso perguntar. O que esse projeto representa para a sociedade? Como trata as pessoas mais pobres? Que compromisso apresenta com o meio ambiente? Como pretende garantir direitos? Que modelo de país está propondo?

O bem comum não significa ignorar as necessidades individuais. Significa compreender que a vida de cada pessoa está ligada à vida da comunidade. Uma política justa precisa cuidar das necessidades concretas da população sem transformar direitos em favores ou privilégios.

Em um período marcado pela circulação de fake news, vídeos manipulados e conteúdos produzidos com inteligência artificial, o programa reforçou a importância da responsabilidade no uso das redes digitais. Ler, ouvir, conferir e buscar a fonte original são atitudes fundamentais antes de compartilhar qualquer informação.

Nem tudo o que chega aos grupos de mensagens é verdadeiro. Uma imagem pode ser antiga, um áudio pode ter sido retirado de contexto e um vídeo pode ter sido manipulado para produzir uma reação de medo ou revolta. Compartilhar uma informação falsa pode atingir a reputação de uma pessoa, influenciar escolhas eleitorais e ampliar conflitos dentro das famílias e das comunidades. Por isso, a informação de qualidade também deve ser entendida como uma forma de participação cidadã. O eleitor bem informado tem mais condições de analisar propostas, reconhecer manipulações e fazer escolhas livres.

A conversa também abordou o voto branco, o voto nulo e a decisão de não participar. A orientação apresentada foi para que cada pessoa compreenda as consequências de suas escolhas e procure informações corretas sobre o que determina a legislação eleitoral. Mais do que defender uma escolha específica, o programa ressaltou que toda decisão produz efeitos sobre a sociedade. Participar das eleições, conhecer candidaturas, acompanhar os mandatos e utilizar os instrumentos de participação são formas de exercer a cidadania.

A mensagem que atravessa o episódio é simples e profunda a democracia não acontece somente no dia das eleições. Ela se constrói todos os dias. Constrói-se quando uma comunidade se reúne para discutir seus problemas, quando uma pessoa fiscaliza o poder público, quando uma informação falsa deixa de ser compartilhada, quando o diálogo substitui a agressão e quando o interesse coletivo é colocado acima da vantagem individual.

Às vésperas das eleições de 2026, o *Hora da Família* convida os ouvintes a participar desse processo com consciência, escuta e responsabilidade. Mais do que escolher representantes, trata-se de pensar que sociedade se deseja construir e qual compromisso cada pessoa está disposta a assumir na defesa do bem comum. A política diz respeito à vida de todos. Por isso, cuidar da democracia também é cuidar das pessoas, dos territórios e do futuro que será deixado para as próximas gerações.

ASSISTA AO VÍDEO NESTE LINK https://youtu.be/PbwRlmCfWNQ?si=igEw4NQXQMInQzQE

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O projeto ‘Encantar a Política’ tem a proposta de compreender a política como serviço ao bem comum, ensino social, à dignidade humana e à defesa da Casa Comum. É uma iniciativa inspirada na Doutrina Social da Igreja e nas encíclicas Fratelli Tutti entre outras. Siga nosso instagram https://www.instagram.com/encantarapolitica/