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É possível voltar a acreditar na política? ‘Em Comunhão’ propõe diálogo antes das eleições

É possível voltar a acreditar na política? ‘Em Comunhão’ propõe diálogo antes das eleições

Vívian Marler / Projeto Encantar a Política

Em programa especial exibido em 23 de setembro, representantes de diferentes áreas e regiões refletiram sobre o desencanto com a política, a participação nas comunidades e os desafios sociais que devem estar no centro das escolhas eleitorais.

A política pode parecer distante quando é reduzida às disputas de Brasília e às promessas de campanha. Mas seus efeitos atravessam a vida cotidiana, estão no acesso à saúde, à educação, ao saneamento, à segurança e na proteção dos territórios. Foi a partir dessa proximidade, e do cansaço de quem já não confia no que ouve que o programa ‘Em Comunhão Especial: Eleições 2026: Por um Brasil de ética, justiça e paz’ abriu espaço para uma conversa sobre o país e o papel de cada pessoa na construção do bem comum.

Exibido pela TV Aparecida em 23 de setembro, o programa reuniu vozes da Igreja, da comunicação e da ciência política para refletir sobre as dores e os desafios sociais brasileiros. No primeiro bloco, participaram o arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antônio da Silva; o cientista político Alexandre Correa; Simone Guedes, assessora de comunicação da Arquidiocese de Cuiabá; e Dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho.

A pergunta que atravessou o diálogo foi direta, é possível voltar a acreditar na política? A resposta não veio como uma promessa fácil. Os participantes reconheceram o desencanto provocado pela distância entre os discursos eleitorais e a experiência concreta da população. Correa observou que, quando as promessas não se convertem em ações capazes de melhorar a vida das pessoas, a confiança se desgasta. Ainda assim, alertou que abandonar a política também tem consequências, significa deixar que outras pessoas decidam os rumos da sociedade.

Para Dom Mário, o papel da Igreja não é escolher por quem os fiéis devem votar. “É missão nossa, sim, à luz do Evangelho, formar a consciência”, afirmou. A reflexão, segundo ele, deve ajudar cada pessoa a fazer sua escolha com liberdade e serenidade, considerando o bem comum, a dignidade humana, a justiça, a paz e a defesa da democracia.

Essa participação, porém, não começa nem termina na urna. Simone Guedes chamou atenção para os espaços onde a vida comunitária acontece, associações de moradores, escolas, pastorais e reuniões locais. São lugares em que as pessoas podem conversar sobre problemas concretos, como a falta de saneamento em um bairro, ouvir diferentes opiniões e buscar caminhos coletivos. Quando a política é tratada apenas como uma disputa distante, perde-se de vista que as decisões públicas também atravessam essas realidades.

A conversa ganhou um recorte amazônico com Dom Roque Paloschi, que relacionou eleições, proteção ambiental e direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais. O arcebispo questionou modelos de desenvolvimento que concentram riqueza, produzem pobreza e destroem as condições de vida nos territórios. A discussão propôs olhar para essas questões não apenas como divergências ideológicas, mas como escolhas com consequências para pessoas, comunidades e para o futuro da região.

O debate também abordou a relação entre fé e política. A inspiração religiosa, disseram os participantes, pode alimentar valores como justiça, solidariedade e cuidado com as pessoas, sem transformar a religião em instrumento eleitoral nem substituir a consciência de cada cidadã e cidadão. A escolha política permanece livre, e o compromisso com a vida pública pode continuar depois da votação, no acompanhamento das decisões e na participação comunitária.

Mais do que oferecer respostas prontas ou indicar caminhos eleitorais, o especial convida o público a retomar o diálogo. Em um período marcado por divisões e desconfiança, escutar experiências diferentes e discutir problemas reais pode ser parte do esforço para reconstruir a vida democrática.

Assista e compartilhe a conversa https://www.youtube.com/watch?v=EEG7c99aYH8

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O projeto ‘Encantar a Política’ tem a proposta de compreender a política como serviço ao bem comum, ensino social, à dignidade humana e à defesa da Casa Comum. É uma iniciativa inspirada na Doutrina Social da Igreja e nas encíclicas Fratelli Tutti entre outras. Siga nosso instagram https://www.instagram.com/encantarapolitica/