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Nossa Senhora, Padroeira do Brasil ?

Nossa Senhora, Padroeira do Brasil ?

Instituto DX

Entre 24 e 29 de setembro, o monitoramento registrou 2,4 milhões de menções, com mais de 1,2 milhão concentradas a partir do dia 27, quando novas decisões judiciais, o conflito com a CNBB e novos movimentos de campanha voltaram a impulsionar o caso.

  • A controvérsia começou com a repercussão de uma apuração da GloboNews sobre uma possível articulação evangélica para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira.A emissora depois retificou a referência ao projeto citado. O caso ganhou força ao longo da semana e passou a envolver mobilização católica, decisões do TSE e do STF e reações de Lula, Flávio Bolsonaro e da CNBB.
  • No monitoramento amplo, o debate social e cultural permaneceu como a principal tag,com 693,8 mil resultados, 28,7% do total. Fake, mentira ou desmentido aparece logo atrás, com 590 mil resultados, 24,4%, e passa a liderar a partir do dia 27, quando soma 380,5 mil ocorrências.
  • A repercussão se concentrou em três grandes picos.O maior foi no dia 25, às 19h, com 46,3 mil menções, em um dia marcado pela correção da GloboNews e pelos desmentidos. No dia 27, o volume chegou a 35,9 mil às 16h, após Flávio Dino derrubar a decisão de André Mendonça. No dia 28, o pico foi de 38 mil às 15h, com a continuidade do conflito com a CNBB e a ampliação do debate sobre fake news e desmentidos.
  • A disputa judicial ganhou peso no recorte narrativo,reunindo 21% das publicações analisadas. A ordem de André Mendonça para remover mais de 1,6 mil publicações foi seguida pela decisão de Flávio Dino, que liberou novamente os posts no dia 27, e pela decisão de Luiz Fux, que restabeleceu a remoção na noite do dia 28.
  • Na extrema-direita, a reação se concentrou na acusação de fake news.Esse eixo reúne 15% das publicações do recorte, com 73% delas vindas da extrema-direita, e apresenta a apuração como uma invenção da esquerda e da GloboNews.
  • A dimensão religiosa continuou presente mesmo depois da entrada da Justiça no caso.No monitoramento amplo, a tag defesa da padroeira e impacto eleitoral chegou a 364,2 mil resultados. No recorte narrativo, o eixo sobre religião no espaço público reuniu 15% das publicações e 17% das interações.
  • A fala de Lula na Band voltou a colocar o título de padroeira no centro da discussão.Esse eixo reuniu 11% das publicações e apresentou o maior índice de circulação do recorte, acompanhado pela reação de Flávio Bolsonaro e pela disputa pelo eleitorado católico.

Entre 24 e 29 de setembro de 2026, às vésperas do primeiro turno de 4 de outubro, a condição de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil ganhou espaço na disputa eleitoral. O tema surgiu a partir de uma apuração da GloboNews, no programa Em Pauta, em que a comentarista Maria Cristina Fernandes relatou a reação de setores da Igreja Católica a uma articulação de grupos evangélicos em torno de um projeto que retiraria o título da santa. Segundo ela, esse movimento poderia favorecer Lula entre os católicos. A associação com Flávio Bolsonaro veio de uma fala do senador na pré-campanha, quando afirmou que, se eleito, declararia o Brasil como pertencente a Jesus Cristo.

O precedente citado foi o Projeto de Lei 2.623, de 2007, apresentado pelo então deputado Victório Galli, que mais tarde integrou o governo Bolsonaro, e arquivado pela Câmara em agosto de 2008. A GloboNews corrigiu a informação de que haveria um projeto atual e pediu desculpas pela associação do texto arquivado a Flávio. A correção se referia ao projeto citado, e não à existência de uma articulação entre os dois campos religiosos. A direita passou a usar esse ajuste para tratar toda a reportagem como mentira. Flávio negou qualquer intenção de retirar o título, classificou a denúncia como invenção do PT e adotou o enquadramento de fake news, acompanhado por perfis da extrema-direita.

O caso depois chegou à esfera institucional. André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou a remoção de mais de 1,6 mil publicações que apresentavam como certa a retirada do título, enquanto a campanha de Flávio pediu a apuração dos responsáveis pela circulação da informação. A repercussão aumentou com o caso envolvendo George Marques, servidor da Secom que teria compartilhado uma mensagem pedindo para deixar o boato circular. A esquerda reagiu à ordem de remoção com acusações de censura. Em seguida, Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a decisão de Mendonça e restabeleceu as publicações, citando a liberdade de expressão.

Ao mesmo tempo, outras frentes mantiveram o tema em circulação, entre elas a disputa em torno da consagração do Brasil a Nossa Senhora, a retirada de um registro relacionado ao tema e as cobranças dirigidas ao governo. A entrevista de Lula ao Canal Livre, da Band, no domingo, também ajudou a manter o assunto em evidência. Não há proposta formal em tramitação com o objetivo de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

TABELA 01 • COMPARATIVO 12 MESES – MAIORES EVENTOS POLÍTICOS

A coluna Data identifica o início do ciclo. A linha em negrito corresponde ao caso atual. Os demais episódios integram a série comparativa; os dois primeiros ocorreram em 2025 e foram mantidos para ampliar a referência histórica.

O caso atual, Nossa Senhora Aparecida, começa seu ciclo com 669.863 menções em 24h e pico de 46,5 mil menções por hora. Depois de 72h eram mais de 1,6 milhões de menções. O total de menções ao episódio é o quarto maior em 2026, atrás apenas dos casos “Mendonça vs Moraes”, em 01/09, as menções registradas pelo caso Quebra de sigilo Dark Horse, em 10/09, e a discussão nas redes sobre a MP da Proibição das Bets, em 25/9. Trata-se de um dos assuntos que mais reverberam no debate público em toda a série histórica e os números das últimas horas mostram tendência de estabilidade, mas com potencial de crescimento devido às decisões dos ministros Flávio Dino e Luis Fux e, sobretudo, devido à expectativa da sessão do plenário do Supremo sobre o caso na próxima quarta-feira, 30 de setembro.

Dados, métricas e narrativas mobilizadas:

O debate sobre Nossa Senhora Aparecida acumulou 2,4 milhões de publicações entre 24 de setembro e as 13h de 29 de setembro. Antes da controvérsia, as menções eram poucas e estáveis, sustentadas principalmente por conteúdos religiosos cotidianos, como transmissões de orações, terços e celebrações no YouTube e no Instagram. Esse padrão muda na noite de 24 de setembro, depois de a jornalista Maria Cristina Fernandes noticiar a reação de setores da Igreja Católica a uma articulação de grupos evangélicos em torno de um projeto que retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Às 23h, o volume já alcançava 27,8 mil menções por hora.

A repercussão recua na madrugada do dia 25, até um piso próximo de 3 mil menções por hora, mas volta a crescer ao longo de todo o dia. A primeira grande onda atinge o maior pico do período às 19h, com 46,3 mil menções em uma hora. A correção da informação sobre o projeto anteriormente arquivado não interrompe a circulação do tema: a discussão incorpora declarações passadas contrárias ao título, reações políticas, desmentidos, manifestações religiosas e a disputa pelo eleitorado católico e evangélico. Depois do pico, o volume voltou a cair durante a madrugada do dia 26, chegando a menos de 5 mil menções por hora, ainda muito acima do patamar anterior à controvérsia.

Ao longo do dia 26, formou-se uma segunda onda, com pico de aproximadamente 28 mil menções por hora. A retomada ocorreu após a decisão de André Mendonça que determinou a remoção de mais de 1,6 mil publicações que associavam Flávio Bolsonaro à retirada do título. A partir daí, o debate passa a incluir também a atuação da Justiça Eleitoral, a retirada de conteúdos e as acusações de censura.

A curva, porém, não se encerrou na manhã do dia 27, como indicava o recorte anterior. Naquele dia, Flávio Dino derrubou a decisão de Mendonça e liberou a publicação, reacendendo a controvérsia jurídica e política. Paralelamente, Flávio Bolsonaro acusou integrantes da CNBB de participarem da disseminação da informação falsa, o que levou a entidade a negar publicamente qualquer envolvimento. Com esses novos acontecimentos, o volume voltou a crescer e o dia 27 terminou com 483,6 mil menções, atingindo 35,9 mil em uma hora no pico das 16h.

A repercussão aumentou novamente no dia 28, que concentrou 518,5 mil publicações, mais do que o dia anterior. O pico ocorreu às 15h, com 38 mil menções em uma hora, impulsionado pela continuidade da disputa envolvendo a CNBB, por gestos públicos de aproximação de Flávio Bolsonaro com a Igreja Católica e pela ampliação do enquadramento de fake news e desmentido. Na noite do mesmo dia, uma nova decisão judicial voltou a alterar o curso do caso: Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu a ordem de remoção e de não publicação dos conteúdos.

Entre a meia-noite e as 13h do dia 29, o monitoramento ainda registrou 222,7 mil menções, com pico de 24,3 mil na primeira hora do dia. Os dados mostram, portanto, que a controvérsia não produziu apenas um aumento momentâneo. Ela permaneceu ativa por quase seis dias e passou por sucessivas reativações, alimentadas por decisões judiciais conflitantes, acusações de censura, manifestações da CNBB, estratégias eleitorais e pela incorporação do episódio ao debate mais amplo sobre religião, identidade nacional e disputa política no ambiente digital.

A distribuição das tags mostra que o debate foi se afastando da alegação original sobre o título de padroeira. Debate social e cultural nas redes concentrou a circulação mais ampla, com comentários, humor, devoção e referências culturais, enquanto Fake, mentira ou desmentido ganhou força na segunda metade do período, junto com a judicialização do caso e a reação das campanhas.

Os temas religiosos e eleitorais continuam muito presentes, sobretudo em Defesa da padroeira e impacto eleitoral, Judicial, censura e remoção e Ataques a Nossa Senhora e à Igreja. Ao mesmo tempo, assuntos que marcaram o início da controvérsia, como PL 2.623, Galli e Bolsonaros, Evangélicos e católicos e Correção da Globo, perderam espaço relativo ao longo dos dias.

No fim do período, a conversa já estava mais concentrada nos desdobramentos do caso do que em sua origem. “Retirada do título e eleição”, “PL 2.623, Galli e Bolsonaros”, “Correção da Globo” e “Bolsonaro e Aparecida em 2022” continuaram aparecendo, mas com menos peso diante das decisões judiciais, das acusações de desinformação e do conflito entre atores políticos e religiosos.

A distribuição mostra que o debate mudou ao longo do período. O debate começa mais ligado à origem da controvérsia, com “Correção da Globo”, “PL 2.623, Galli e Bolsonaros” e “Evangélicos e católicos”, mas perde essa concentração inicial conforme o caso avança.

Na segunda metade do período, ganham espaço “Fake, mentira ou desmentido” e “Judicial, censura e remoção”. A discussão passa a girar menos em torno do projeto citado pela GloboNews e mais sobre a circulação da informação, a retirada dos posts e as decisões conflitantes entre TSE e STF.

Ao mesmo tempo, “Defesa da padroeira e impacto eleitoral” e “Ataques a Nossa Senhora e à Igreja” mostram que a dimensão religiosa não desaparece com a judicialização. Ela continua presente, mas passa a dividir espaço com a disputa institucional e com o uso eleitoral do caso.

A controvérsia combinou pelo menos quatro processos: contestação factual, judicialização, recuperação de antecedentes políticos e mobilização religiosa com efeito eleitoral. O volume residual também inclui devoção cotidiana e usos amplos de Nossa Senhora ou Aparecida, consequência direta da consulta de monitoramento.

Como se comportaram os clusters de perfis políticos e imprensa

O recorte cobre as publicações dos perfis políticos monitorados entre 24 e 29 de setembro de 2026 com termos ligados ao título de padroeira, e soma 6.555 publicações e 140.026.988 interações, agrupadas em seis eixos por proximidade de vocabulário. A extrema-direita produziu 45% das publicações, a esquerda 43% e a imprensa 12%. Na soma de interações a extrema-direita chega a 47%, a esquerda a 41% e a imprensa a 13% …

Leia as demais pesquisas na fonte https://institutodx.org/publicacoes/nossa-senhora-3/

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