Entre a palavra e o ataque, uma rede de solidariedade se mobiliza por Dom Vicente Ferreira
Vívian Marler / Projeto Encantar a Política
Entidades católicas e movimentos sociais convocam organizações e coletivos a aderirem a uma nota pública após agressões dirigidas ao bispo nas redes. A iniciativa afirma que divergências não podem se transformar em ofensas à dignidade de uma pessoa.
Uma publicação nas redes sociais, feita em defesa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e com uma invocação a Nossa Senhora Aparecida, tornou-se o ponto de partida de uma nova onda de ataques contra Dom Vicente Ferreira, bispo de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia.
Segundo reportagem do ‘Metrópoles’, em uma transmissão realizada em 28 de setembro, o influenciador Allan dos Santos passou a atacar pessoalmente o bispo e estendeu as ofensas a outros integrantes da CNBB. A reportagem descreve insultos e tentativas de desqualificar a identidade religiosa e a missão pastoral de Dom Vicente.
O episódio ocorre em meio a controvérsias anteriores em torno das manifestações públicas do bispo. Em agosto, ao comentar a consagração de dioceses a São Miguel Arcanjo, Dom Vicente questionou quais males a sociedade deveria combater e citou homofobia, feminicídio, racismo e crimes contra indígenas. A declaração recebeu críticas nas redes sociais, segundo a agência ACI Digital.
A discussão sobre ideias e posições religiosas faz parte da vida pública. Mas há uma diferença entre contestar uma opinião e dirigir ataques pessoais contra alguém. É essa fronteira que está no centro da mobilização por solidariedade a Dom Vicente, e também de uma ação judicial movida pelo bispo.
Conforme a reportagem do ‘Metrópoles’, a ação pede a retirada urgente dos conteúdos ofensivos, que as agressões não sejam repetidas e que haja uma retratação pública nos mesmos canais. São pedidos apresentados à Justiça, não uma decisão judicial já tomada. A distinção importa: cabe ao Judiciário analisar o caso, enquanto a sociedade pode refletir sobre os limites da crítica e o respeito à dignidade humana.
Para quem acompanha a missão do bispo, a solidariedade não significa exigir silêncio diante de divergências. Significa defender que o debate, inclusive o debate religioso e político, não seja reduzido à humilhação, à intimidação ou à violência verbal. Na perspectiva da nota, a palavra profética nasce do compromisso com as pessoas vulnerabilizadas e com a defesa da vida e, por isso, provoca reações, mas também cria laços de apoio.
A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), o Movimento Nacional Fé e Política (MNFP), com outras Comissões Justiça e Paz e organizações, convocam pastorais, comunidades, movimentos, entidades e coletivos a aderirem à “Nota de Solidariedade com Dom Vicente Ferreira por Justiça e Democracia no Brasil” ( https://forms.gle/SbrG7QEWtC7o2QU26 ).
A adesão é coletiva, o formulário solicita o nome da organização, coletivo ou instituição, sua cidade e estado e os dados da pessoa responsável pela assinatura. O prazo informado no próprio formulário é sexta-feira, 9 de outubro de 2026, ao meio-dia, horário de Brasília.
Em tempos em que a agressividade digital pode tentar isolar quem se manifesta, a resposta proposta pelas entidades é construir uma rede de presença: dizer que a defesa da justiça, da democracia e da dignidade não precisa ser feita em solidão.
Organizações e coletivos podem registrar sua adesão pelo https://forms.gle/SbrG7QEWtC7o2QU26
Fontes consultadas https://www.metropoles.com/colunas/matheus-leitao/bispo-processa-allan-dos-santos-por-ataques-a-missao-pastoral
https://www.acidigital.com/noticia/69301/bispo-critica-consagracao-a-sao-miguel-e-diz-que-exorcismo-deve-ser-contra-homofobia-feminicidio-e-racismo
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O projeto ‘Encantar a Política’ tem a proposta de compreender a política como serviço ao bem comum, ensino social, à dignidade humana e à defesa da Casa Comum. É uma iniciativa inspirada na Doutrina Social da Igreja e nas encíclicas Fratelli Tutti entre outras. Siga nosso instagram https://www.instagram.com/encantarapolitica/
