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Juventude e o acesso a Educação precisam caminhar juntos para que os sonhos não morram

Juventude e o acesso a Educação precisam caminhar juntos para que os sonhos não morram

Vívian Marler / Projeto Encantar a Política

No debate do segundo turno, educação, primeiro emprego, saúde e segurança devem ser vistos pela experiência concreta de crianças e jovens, e pelo compromisso coletivo de abrir caminhos para todos.

Há jovens que estudam com o celular compartilhado em casa, fazem cursos quando a conexão permite e procuram a primeira oportunidade de trabalho enquanto ajudam a família. Há também quem tenha acesso a boas escolas, idiomas, tecnologia e redes de contato. Essas realidades não são iguais, mas podem se encontrar numa escolha comum, construir um futuro em que oportunidades não dependam do endereço, da renda ou da cor da pele.

Essa aproximação não deve transformar jovens com mais recursos em salvadores dos demais. O caminho é outro, escutar quem enfrenta as barreiras, reconhecer os próprios privilégios e colocar conhecimentos, tempo e redes a serviço de soluções construídas junto com as comunidades. Solidariedade, nesse sentido, não é falar pelo outro; é trabalhar para que todas as pessoas tenham voz e condições de escolher seus caminhos.

Os dados ajudam a dimensionar o desafio. O Brasil tinha 46,6 milhões de pessoas de 15 a 29 anos em 2025. Segundo o IBGE, 17,5% não estavam ocupadas, não estudavam no ensino regular nem frequentavam cursos de qualificação profissional. Embora esse percentual tenha caído em relação a 2019, as desigualdades permanecem, a proporção era de 19,8% entre jovens pretos ou pardos e de 14% entre jovens brancos. Entre as mulheres jovens, chegava a 22,8%, quase o dobro da registrada entre os homens, de 12,4%. Esses números descrevem condições sociais, não falta de vontade ou de talento. (https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/47222-cai-a-proporcao-de-jovens-que-nao-trabalham-nao-estudam-e-nem-se-qualificam)

O acesso à educação precisa caminhar junto com a permanência na escola e com perspectivas reais de formação e trabalho. O Pé-de-Meia, por exemplo, foi criado como incentivo financeiro para estudantes do ensino médio público que atendam aos critérios do programa. Entre as regras divulgadas pelo Ministério da Educação estão a inscrição da família no Cadastro Único e o pagamento de incentivo ao fim de cada ano letivo concluído, com saque da poupança após a conclusão do ensino médio. Para avaliar o alcance da iniciativa, é importante acompanhar não apenas as matrículas e os pagamentos, mas também a frequência, a conclusão dos estudos e os resultados ao longo do tempo. (https://www.gov.br/mec/pt-br/acesso-a-informacao/perguntas_frequentes/pe-de-meia/sou-estudante-do-ensino-medio)

Também há iniciativas de organizações sociais e parcerias com empresas que aproximam estudantes do mundo do trabalho. No relatório de atividades de 2025, a Junior Achievement Brasil informou ter realizado mais de 1 milhão de experiências de aprendizagem em 903 municípios e 2.016 escolas, com 12.451 experiências voluntárias. Um dos programas, “Conectado com o Amanhã”, registrou 59.825 estudantes e 1.571 voluntários, com atividades sobre currículo, entrevistas e preparação profissional.

O mesmo relatório descreve a Nexa, rede de ex-alunos da organização, como um grupo liderado por jovens que promove projetos, eventos e mentorias. É um exemplo de conhecimento circulando entre gerações: pessoas que passaram por uma experiência formativa ajudam a abrir caminhos para outras. Esses números são dados divulgados pela própria instituição e indicam alcance; por si só, não comprovam efeitos duradouros sobre emprego ou renda. (https://jabrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Relatorio-de-Atividades-2025.pdf)

O futuro, porém, não se resume à preparação para o mercado. Crianças e jovens precisam de escola acolhedora, acesso à saúde física e mental, proteção contra violências, espaços de esporte e cultura, transporte seguro e oportunidades de participação. A formação para profissões do futuro perde sentido quando faltam condições básicas para aprender, circular pela cidade e projetar a própria vida.

Igrejas, escolas, organizações sociais, empresas e poder público podem contribuir com ações de formação, acompanhamento e voluntariado. Mas iniciativas comunitárias não substituem a responsabilidade do Estado de garantir direitos e políticas contínuas.

Um exemplo de incentivo simples, prático e bem articulado com instituições particulares e governamentais, pode ser percebido no projeto do ‘Pai e Mestre da Juventude’. Inspirados por São João Bosco, fundador dos Salesianos, que criou em Turim o Oratório de Valdocco para acolher jovens pobres e abandonados, oferecer-lhes educação, formação para o trabalho e um ambiente de família, os Salesianos no Brasil atuam em escolas, obras sociais, oratórios e iniciativas de formação profissional.

Essa missão se inspira no Sistema Preventivo de Dom Bosco, baseado na razão, na religião e na ‘amorevolezza’, ou amor educativo, que vê cada jovem não como um problema a ser controlado, mas como alguém com potencial, dignidade e direito de construir o próprio futuro. (https://www.salesianos.br/blog/dom-bosco-uma-vida-dedicada-a-deus-e-a-missao-de-educar-e-evangelizar-os-jovens).

No segundo turno, discutir o futuro da infância e da juventude é perguntar que condições serão oferecidas para que cada pessoa possa estudar, cuidar da saúde, viver com segurança e encontrar trabalho digno. Qual projeto, como o de Dom Bosco, pode ajudar a melhorar a realidade dessa parcela da nossa sociedade. Uma sociedade mais justa não exige que todos tenham a mesma trajetória; exige que ninguém seja impedido de sonhar e construir a sua por causa das desigualdades.

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O projeto ‘Encantar a Política’ tem a proposta de compreender a política como serviço ao bem comum, ensino social, à dignidade humana e à defesa da Casa Comum. É uma iniciativa inspirada na Doutrina Social da Igreja e nas encíclicas Fratelli Tutti entre outras. Siga nosso instagram https://www.instagram.com/encantarapolitic