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Devoção a Aparecida se transforma em chamado ao cuidado com os pobres e as crianças

Devoção a Aparecida se transforma em chamado ao cuidado com os pobres e as crianças

Vívian Marler / Projeto Encantar a Política

Em mensagem transmitida no 12 de outubro, pelo Frei José Fernandes, em o Ponto de Vista Semanal veiculado pela Rádio Difusora de Goiania e TV Causas da Vida, no Youtube, a oração, memória e fé se unem a uma reflexão sobre direitos, bem comum e responsabilidade diante do segundo turno.

No dia de Nossa Senhora Aparecida e das crianças, uma mensagem dirigida aos ouvintes da Difusora de Goiânia começou com um convite à oração. Mas a Ave-Maria logo se abriu para uma reflexão sobre o lugar da fé na vida pública, e sobre quem precisa estar no centro das preocupações de uma sociedade.

A inspiração veio do Magnificat, cântico atribuído a Maria no Evangelho de Lucas. Nele, Deus derruba os poderosos de seus tronos, eleva os humildes, enche de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias. A mensagem interpreta esse texto como sinal de que a devoção mariana não pode ser separada da história nem do compromisso com quem vive à margem. “Nossa Senhora tem um lado na história”, afirma a reflexão. Esse lado é apresentado como o dos pobres, das pessoas descartadas e marginalizadas e de quem trabalha pelo bem comum. Mais do que uma expressão de fé privada, a devoção é descrita como atenção às necessidades concretas do povo.

A memória de Aparecida também aparece ligada à vida dos pescadores e à fé popular. A imagem encontrada por pescadores no Rio Paraíba do Sul, em 1717, tornou-se um dos símbolos religiosos mais presentes na história brasileira. Na mensagem, essa trajetória é aproximada das lutas por dignidade e liberdade das pessoas escravizadas.

O apelo ganha tom de alerta quando a reflexão pede que a imagem de Maria não seja usada para servir ao egoísmo, à concentração de poder ou a interesses pessoais e familiares. Também chama atenção para as manipulações religiosas e políticas da devoção, uma preocupação que, no contexto eleitoral, convida ao discernimento e ao respeito à liberdade de consciência.

Com o segundo turno das eleições se aproximando, a mensagem pede que o Brasil não retroceda, especialmente nos direitos das pessoas pobres. Sem citar candidaturas, a oração se volta a um horizonte de fraternidade, dignidade e esperança. Uma das imagens mais fortes é o desejo de um país “sem fila para osso, sem discriminação”, uma maneira direta de apontar para a fome e para a desigualdade que não deveriam ser naturalizadas.

O Dia das Crianças acrescenta outra dimensão ao chamado. Maria, que acolheu o menino Jesus, é apresentada como inspiração para um compromisso concreto com o presente e o futuro da infância. A mensagem resume esse compromisso numa imagem simples, colocar nas mãos das crianças pão e livros, e não armas. Alimentação, educação, proteção e cuidado aparecem, assim, como responsabilidades compartilhadas.

Ao final, a oração retorna, agora acompanhada por palavras poéticas de louvor e confiança. O percurso entre a Ave-Maria, o Magnificat e o apelo público deixa uma pergunta para além da celebração: de que maneira a fé pode ajudar a construir uma sociedade em que todas as pessoas tenham vida com dignidade?

Acesse e ouça em  https://youtu.be/V8BQr_-sADA

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O projeto ‘Encantar a Política’ tem a proposta de compreender a política como serviço ao bem comum, ensino social, à dignidade humana e à defesa da Casa Comum. É uma iniciativa inspirada na Doutrina Social da Igreja e nas encíclicas Fratelli Tutti entre outras. Siga nosso instagram https://www.instagram.com/encantarapolitic