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Depois da urna, a democracia continua ‘que Estado queremos construir?’


Depois da urna, a democracia continua ‘que Estado queremos construir?’

Vívian Marler / Projeto Encantar a Política

Em debate no Projeto Prisma, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas defenderam que escolhas eleitorais sejam acompanhadas por análise de políticas públicas, atenção aos resultados e participação cidadã.

Uma eleição termina, mas as necessidades do país seguem à porta, o atendimento de saúde que não chega, a escola que precisa de recursos, a família que busca proteção e a comunidade que espera respostas. É nesse cotidiano que a democracia mostra se consegue transformar direitos em realidade.

Essa foi a pergunta que conduziu a edição especial do Projeto Prisma, exibida em 14 de outubro. “Depois da urna: que Nação e que Estado brasileiro queremos construir?” Participaram o antropólogo e cientista político Charles Alberto de Souza, a psicóloga e socióloga Tereza Nobre e o advogado Adam Barra.

Na abertura, o apresentador lembrou que o Brasil “não é um prêmio entregue ao vencedor de uma eleição”, mas a casa de milhões de pessoas com diferenças, esperanças, necessidades e direitos. A imagem ajuda a deslocar o debate, votar é escolher representantes, mas a vida democrática também exige acompanhar o que acontece depois da posse.

Charles Alberto de Souza contou que passou meses estudando projetos políticos e que procurou aplicar critérios comuns às análises. Em vez de se limitar a discursos ou promessas, propôs observar políticas públicas concretas, quanto foi investido, como as ações foram executadas, quem foi alcançado e quais resultados apareceram.

A conversa deixa uma pergunta útil para qualquer período eleitoral, o que foi prometido, o que foi realizado, quanto custou e quem se beneficiou? A resposta depende de informação acessível e de fontes que permitam conferir os dados. Também exige reconhecer que nenhuma política pública deve ser avaliada apenas por suas intenções, é preciso observar sua execução, seus efeitos e as lacunas que permanecem.

Os participantes abordaram diferentes concepções sobre o papel do Estado, incluindo proteção social, investimentos públicos, atividade econômica e segurança. O debate também destacou que não basta discutir se o Estado deve ser maior ou menor, importa saber se tem capacidade para cumprir suas responsabilidades, usar bem os recursos, reduzir desigualdades e proteger direitos.

Uma metáfora apresentada na conversa ajuda a traduzir esse ponto: o Estado pode ser pensado como um guarda-chuva. Seu tamanho, por si só, não responde à questão central. Quando começa a tempestade, o que importa é se ele protege as pessoas. Capacidade, eficiência, financiamento, equidade e qualidade democrática fazem parte dessa avaliação.

A reflexão recorreu ainda às ideias de Hannah Arendt e Norberto Bobbio para falar de pluralidade, limites ao poder e alternância. Um governo administra o Estado, mas não se torna dono dele, as instituições, a Constituição e os demais poderes são parte das regras que preservam a vida democrática. Do mesmo modo, a divergência não é uma ameaça a ser eliminada; é parte de uma sociedade diversa.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a conversa do Prisma propõe olhar além da urna. A escolha eleitoral é importante, mas não encerra a participação cidadã. Acompanhar políticas, perguntar sobre recursos, fiscalizar resultados e defender instituições são formas de continuar cuidando do país depois da votação.

Assista ao debate completo no Projeto Prisma https://youtu.be/62x97O1brT4?si=4ND_eWmC6_dBDXDa

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O projeto ‘Encantar a Política’ tem a proposta de compreender a política como serviço ao bem comum, ensino social, à dignidade humana e à defesa da Casa Comum. É uma iniciativa inspirada na Doutrina Social da Igreja e nas encíclicas Fratelli Tutti entre outras. Siga nosso instagram https://www.instagram.com/encantarapolitic