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A política está na vida, democracia se faz com participação

A política está na vida, democracia se faz com participação

Vívian Marler / Projeto Encantar a Política

Quando se fala em participação política, muitas pessoas pensam imediatamente no voto. Mas a democracia é maior do que o momento em que o eleitor confirma sua escolha na urna. Ela também envolve informação, acompanhamento, fiscalização e compromisso com o funcionamento das instituições.

Uma iniciativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para as eleições gerais de 2026 reforça justamente essa compreensão. Por meio da ‘Missão de Observação Eleitoral Nacional (MOE)’, representantes da sociedade civil poderão acompanhar diferentes etapas do processo eleitoral e contribuir para o fortalecimento da transparência e da confiança pública.

A informação foi divulgada pelo ‘BNC Amazonas’, em reportagem publicada no dia 31 de julho. O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), credenciado pela terceira vez para integrar a missão, abriu chamada para selecionar observadores em diferentes regiões do país. A proposta mostra que acompanhar as eleições não é uma tarefa exclusiva da Justiça Eleitoral. A sociedade também pode participar, de forma organizada, técnica e imparcial.

A atuação dos observadores eleitorais não significa substituir mesários, fiscais de partidos ou autoridades da Justiça Eleitoral. Também não envolve interferir na votação ou abordar eleitores. A função é acompanhar o trabalho realizado nas seções eleitorais, observar os procedimentos, registrar eventuais ocorrências e encaminhar as informações à coordenação da missão. Posteriormente, os relatos são reunidos em um relatório que pode ser enviado ao TSE e contribuir para o aperfeiçoamento do processo eleitoral.

Essa postura exige responsabilidade. O observador precisa agir com discrição, objetividade e respeito às normas. Não se trata de buscar conflitos ou confirmar suspeitas pessoais, mas de registrar os fatos com equilíbrio e imparcialidade. A observação eleitoral, portanto, não é uma atividade de disputa política. É uma forma de serviço à democracia.

A participação da sociedade na fiscalização das eleições se relaciona diretamente ao chamado controle social. Em uma democracia, o povo não deve ser apenas consultado de tempos em tempos. Precisa acompanhar como as instituições funcionam, cobrar transparência e contribuir para que os direitos sejam respeitados.

Esse compromisso se torna ainda mais necessário em um cenário marcado pela circulação de informações falsas, pela desconfiança nas instituições e pela polarização política. A observação independente pode ajudar a produzir informações confiáveis sobre o processo eleitoral. Também reforça a ideia de que a democracia não se sustenta apenas na existência de urnas, mas na confiança construída por meio de regras claras, transparência e participação.

O eleitor que observa, registra e acompanha está exercendo uma cidadania ativa. Não está apenas esperando o resultado da eleição. Está ajudando a cuidar do caminho que leva até ele.

A iniciativa do TSE e do MCCE permite ampliar uma reflexão importante, o compromisso democrático começa antes do dia da votação e continua depois da apuração. Antes da eleição, é preciso buscar informações sobre candidatos, partidos e propostas. É necessário verificar a origem das notícias, desconfiar de mensagens sensacionalistas e não compartilhar conteúdos sem confirmação.

Durante a votação, é importante respeitar as regras, denunciar irregularidades pelos canais adequados e não transformar a seção eleitoral em espaço de provocação ou confronto. Depois da eleição, a participação continua no acompanhamento dos mandatos, na fiscalização dos gastos públicos, na presença em conselhos, audiências públicas e organizações comunitárias. Em outras palavras, democracia não é um evento. É um processo permanente.

O tema também se aproxima da proposta do Projeto ‘Encantar a Política’, que busca fortalecer a formação cidadã e recuperar o sentido da política como serviço ao bem comum. A política está na escola que funciona ou deixa de funcionar, no atendimento de saúde, na estrada, no transporte, no acesso à água, na segurança, no trabalho e na proteção das comunidades. Está também nas decisões sobre o uso do dinheiro público e na escolha de quem terá autoridade para definir as prioridades do país.

Por isso, acompanhar o processo eleitoral é uma forma de cuidar da vida concreta das pessoas. É especialmente importante para as comunidades que mais dependem das políticas públicas e que, muitas vezes, têm pouca voz nos espaços de decisão. A participação cidadã ajuda a impedir que a política seja tratada como propriedade de poucos. Ela lembra que o poder público pertence à sociedade e deve ser exercido com responsabilidade, transparência e respeito à dignidade humana.

Segundo as informações divulgadas pelo BNC Amazonas, os interessados em participar da ‘Missão de Observação Eleitoral’ devem ter pelo menos 18 anos, estar no pleno exercício dos direitos políticos, não possuir filiação partidária nem exercer militância político-eleitoral.

Também era necessário cumprir os critérios definidos pelo TSE e assinar o código de conduta da missão. O prazo informado para o envio da documentação termina no dia 12 de agosto de 2026. Mesmo para quem não participar diretamente da missão, a iniciativa deixa uma mensagem importante, todos podem encontrar maneiras de colaborar com a democracia.

Participar pode significar acompanhar uma sessão eleitoral, ajudar a combater a desinformação, orientar alguém que tem dúvidas, participar de uma reunião comunitária, fiscalizar uma política pública ou simplesmente conversar com responsabilidade sobre o futuro do país.

O voto é um direito e uma responsabilidade. Mas ele não deve ser o ponto final da cidadania. A democracia precisa de pessoas dispostas a acompanhar, perguntar, verificar, dialogar e cobrar. Precisa de comunidades organizadas e de cidadãos que não aceitem a indiferença como resposta diante dos problemas públicos.

A Missão de Observação Eleitoral mostra que a participação popular pode acontecer de maneira concreta, ética e responsável. E o Projeto ‘Encantar a Política’ ajuda a lembrar que essa participação também é uma forma de cuidar do bem comum. Porque a política está na vida, e a democracia se fortalece quando o povo participa.

 

*Fonte: A matéria tem como referência a reportagem “TSE abre espaço para cidadão na observação das eleições”, de Antônio Paulo, publicada pelo BNC Amazonas em 31 de julho de 2026 https://bncamazonas.com.br/poder/tse-abre-espaco-para-cidadao-na-observacao-das-eleicoes/

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O projeto ‘Encantar a Política’ tem a proposta de compreender a política como serviço ao bem comum, ensino social, à dignidade humana e à defesa da Casa Comum. É uma iniciativa inspirada na Doutrina Social da Igreja e nas encíclicas Fratelli Tutti entre outras.