Pular para o conteúdo
Home » Notícias e Artigos » Em campanha da Rádio Rio Mar, Dom Leonardo Steiner reflete sobre o compromisso cristão com a política, a fraternidade e a defesa do bem comum

Em campanha da Rádio Rio Mar, Dom Leonardo Steiner reflete sobre o compromisso cristão com a política, a fraternidade e a defesa do bem comum

Em campanha da Rádio Rio Mar, Dom Leonardo Steiner reflete sobre o compromisso cristão com a política, a fraternidade e a defesa do bem comum

A política não acontece apenas nos palácios, nas câmaras legislativas ou durante o período eleitoral. Ela também está presente nas ruas, nas comunidades, nas relações de vizinhança e nas escolhas feitas todos os dias por cidadãos que decidem participar ou permanecer indiferentes diante dos problemas coletivos. É a partir dessa compreensão que a Rádio Rio Mar, de Manaus, apresentou, em 2022, a campanha “Encantar a Política – Consciência Política”, com a participação do arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner. A iniciativa propôs uma reflexão sobre o papel do cidadão na política e sobre o compromisso dos cristãos diante de um cenário marcado por conflitos, desigualdade, pobreza e descrédito nas instituições.

Para Dom Leonardo, a Igreja não convida os cristãos à participação política para defender interesses particulares ou alimentar disputas. O objetivo é contribuir para que a vida em sociedade se transforme em um espaço de fraternidade, respeito e busca pela paz. A política, nessa perspectiva, não deve ser compreendida como uma competição permanente entre grupos que desejam apenas conquistar poder. Ela precisa estar a serviço da vida e do bem comum, respeitando as diferenças e fortalecendo aquilo que o Papa Francisco chama de cultura do encontro.

A reflexão apresentada na campanha recorda que o mundo já testemunhou as consequências trágicas da falta de diálogo entre os povos. A guerra na Ucrânia, iniciada naquele período, expôs uma grave crise política e humanitária, cujos efeitos atingiram principalmente as populações mais vulneráveis. Mas o diálogo, sozinho, não é suficiente para construir a paz. É necessário que ele seja acompanhado de solidariedade, responsabilidade e disposição para enfrentar as causas estruturais do sofrimento.

Na visão de Dom Leonardo, ser solidário não significa apenas oferecer ajuda imediata a quem passa por dificuldades. Significa também questionar as estruturas que produzem a pobreza, o desemprego, a fome e a negação de direitos básicos. Essa atitude exige que o cidadão olhe para além dos próprios interesses. Em uma sociedade na qual o dinheiro muitas vezes determina as relações e as decisões, torna-se necessário perguntar quem está sendo beneficiado e quem continua sendo deixado para trás.

A política só cumpre sua verdadeira finalidade quando busca garantir condições dignas para todos, e não quando se transforma em instrumento de favorecimento de grupos específicos. O compromisso cristão com a política começa pelo reconhecimento de que nenhuma pessoa deve ser considerada estranha ou descartável. A imagem do bom samaritano, presente no Evangelho, ajuda a iluminar essa responsabilidade.

O samaritano não passou indiferente diante de alguém ferido à beira do caminho. Ele se aproximou, cuidou e assumiu parte da dor do outro. Para Dom Leonardo, esse gesto pode inspirar uma forma de participação política baseada na compaixão, na justiça e na defesa da dignidade humana. Ser cristão, portanto, não significa afastar-se dos debates públicos. Ao contrário, implica assumir responsabilidade diante da realidade. A fé não pode permanecer restrita ao espaço privado quando existem pessoas sofrendo com a falta de trabalho, de moradia, de atendimento de saúde, de educação ou de segurança.

A caridade pessoal é importante, mas não basta. O cristão também é chamado a compreender por que determinados grupos vivem em situação de pobreza e quais decisões políticas contribuem para manter ou transformar essa realidade. “Solidariedade é pensar e agir em termos de comunidade, priorizando a vida de todos com dignidade”, comentou o arcebispo.

Essa solidariedade amplia o alcance da ação cristã. Ela não elimina a necessidade de ajudar quem precisa, mas acrescenta a essa ajuda o compromisso de transformar as condições que geram exclusão. O projeto de sociedade defendido na reflexão não nasce de uma teoria distante da vida real. Ele pode ser percebido nas comunidades onde as pessoas preservam valores como a reciprocidade, a colaboração e a responsabilidade coletiva.

Nos bairros, nas paróquias, nas associações e nos movimentos populares, a política aparece quando os moradores se organizam para reivindicar saneamento, transporte, iluminação pública, escolas, unidades de saúde ou proteção para os territórios. Essas experiências revelam que a participação cidadã não começa necessariamente em uma candidatura. Ela começa quando alguém decide não aceitar a realidade como imutável e se dispõe a construir respostas junto com outras pessoas.

A partir daí, o cidadão pode acompanhar as decisões dos governantes, fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, participar das eleições de maneira consciente e cobrar políticas que atendam ao conjunto da população. Para os cristãos, esse caminho exige coerência entre a fé professada e as escolhas realizadas na vida pública. Não é possível defender a fraternidade dentro da Igreja e aceitar a exclusão, a violência ou a indiferença fora dela.

A sociedade sonhada por Dom Leonardo se aproxima da imagem de uma grande vizinhança cordial, um lugar onde as pessoas não sejam tratadas como concorrentes, mas como companheiras de caminhada. Essa realidade depende de uma política que não esteja subordinada apenas às leis do mercado ou aos interesses de quem possui mais recursos. Depende de decisões que coloquem a pessoa humana no centro e reconheçam que o desenvolvimento só tem sentido quando alcança também os mais pobres e vulneráveis.

A campanha “Encantar a Política – Consciência Política” permanece atual porque lembra que a democracia precisa de cidadãos participantes, atentos e comprometidos. A política não deve ser abandonada aos que desejam utilizá-la em benefício próprio. Cada pessoa pode contribuir para uma sociedade mais justa ao dialogar, escutar, participar da comunidade, defender os direitos dos mais frágeis e escolher representantes comprometidos com o bem comum.

No fim, a pergunta apresentada na reflexão continua provocando a consciência de todos. Se ser solidário é cuidar do outro e da vida coletiva, por que não reconhecer também que ser solidário é ser político?

Assista ao vídeo em https://www.facebook.com/share/v/1C8wGZ6rqM/

…………..
Se você gostou deste artigo inscreva-se no canal do WhatsApp https://whatsapp.com/channel/0029VbDXXZ4LI8YcEhonar3m
O projeto ‘Encantar a Política’ tem a proposta de compreender a política como serviço ao bem comum, ensino social, à dignidade humana e à defesa da Casa Comum. É uma iniciativa inspirada na Doutrina Social da Igreja e nas encíclicas Fratelli Tutti entre outras. Siga nosso instagram https://www.instagram.com/encantarapolitica/