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O terceiro episodio da série ‘A Politica Melhor e a Cultura do Encontro’ reflete sobre a presença dos cristãos leigos e leigas na vida pública

O terceiro episodio da série ‘A Politica Melhor e a Cultura do Encontro’ reflete sobre a presença dos cristãos leigos e leigas na vida pública

Vívian Marler / Projeto Encantar a Política

A fé cristã não se limita aos espaços internos da Igreja. Ela se expressa nas escolhas, nas relações, no trabalho, na família e também na forma como cada pessoa participa da sociedade. É a partir dessa compreensão que o terceiro episódio da série “A Política Melhor e a Cultura do Encontro” reflete sobre a presença dos cristãos leigos e leigas na política.

Promovido pelo Regional Sul 2 da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil(CNBBSul 2), o podcast reúne os jornalistas Karina de Carvalho Nadal, da CNBB Regional Sul 2, e Jorge Teles, da Diocese de Guarapuava. Nesta edição, os apresentadores conversam com Salete Bez, historiadora, coordenadora da equipe da Campanha da Fraternidade na Arquidiocese de Curitiba, coordenadora da Articulação das Pastorais Sociais do Regional Sul 2, assessora das Comunidades Eclesiais de Base e conselheira do Conselho de Saúde do Distrito Boqueirão, em Curitiba.

A participação de Salete dá ao episódio um caráter especial. A partir de sua trajetória como leiga, esposa, mãe, agente pastoral e participante de diferentes espaços sociais, ela mostra que o compromisso cristão com a justiça e a dignidade humana não se constrói apenas por meio de discursos, mas pela presença cotidiana e responsável na realidade. “Eu não separo a fé da vida. Para mim, não existe diferença, não há esse dualismo. Está tudo entrelaçado, interligado”, afirma.

Salete recorda que sua caminhada começou ainda na Pastoral da Juventude e na Juventude Operária Católica. Ao longo dos anos, foi catequista, ministra da Eucaristia e passou a atuar em diferentes frentes da Igreja e da sociedade. Hoje, participa da Pastoral Familiar, da Ação Social da paróquia, da liturgia, das Comunidades Eclesiais de Base, da Articulação das Pastorais Sociais, do Conselho de Saúde, da Rede de Segurança Alimentar e da Economia Solidária.

Também promove rodas de conversa, especialmente com mulheres, e acompanha grupos e movimentos que atuam na defesa da justiça e de uma vida digna. Essa trajetória ajuda a compreender sua visão sobre a vocação dos leigos e leigas. Para ela, o primeiro campo de missão dos cristãos é o mundo. É nele que a fé precisa ganhar forma e se transformar em atitudes concretas. “Somos chamados a ser sal da terra e luz do mundo, a exercer essa nossa dupla cidadania: como sujeitos eclesiais, atuando na Igreja e na sociedade”, explica, em referência ao Documento 105 da CNBB, sobre os cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade.

A atuação cristã, segundo Salete, não acontece somente nas pastorais ou nas celebrações. Ela se manifesta também no local de trabalho, na família, na vizinhança, no trânsito e nas relações mais simples do dia a dia. “Vamos dar esse testemunho de Jesus de Nazaré com as nossas vidas, mais do que com palavras e citações bíblicas, mas com a nossa prática e a vivência do dia a dia”, ressalta.

Defender o que é justo, acolher, agir com gentileza, não discriminar e semear a paz são, para ela, expressões concretas de uma fé coerente com o Evangelho. Uma fé que não permanece isolada, mas se relaciona com Deus, com o próximo, consigo mesma e com a natureza, a casa comum.

O episódio também aborda a participação dos cristãos na política, especialmente em um período marcado pela preparação para as eleições. A Igreja reconhece a política como um espaço legítimo de atuação dos leigos e leigas e como um caminho para a promoção do bem comum, da justiça e da dignidade humana.

Ao mesmo tempo, o diálogo chama atenção para os riscos de transformar a fé em instrumento de interesses eleitorais. Tanto candidatos quanto eleitores e comunidades precisam agir com responsabilidade, discernimento e coerência com os princípios do Evangelho. Para Salete, a participação política exige ação. Não basta observar a realidade à distância ou afirmar que a política não diz respeito à vida cristã. Pelo contrário: envolver-se na construção da sociedade é uma forma concreta de cuidar das pessoas e defender seus direitos.

Ela recorda a reflexão do Papa Francisco sobre a política como uma das formas mais altas da caridade, justamente porque busca o bem comum. Também cita a encíclica Fratelli Tutti, na qual o pontífice destaca que, quando as pessoas se unem para promover processos sociais de fraternidade e justiça para todos, entram no campo da chamada caridade política. Nesse sentido, a política não se resume às eleições, aos partidos ou aos mandatos. Ela está presente sempre que homens e mulheres se organizam para enfrentar problemas coletivos e buscar soluções para a vida em comunidade.

Salete propõe ainda a leitura do texto “Sobre política e jardinagem”, de Rubem Alves, que compara a política ao cuidado com o jardim de todos. A imagem ajuda a compreender que a vida pública exige cuidado permanente, participação e responsabilidade compartilhada.

Com a aproximação do período eleitoral, o podcast convida os ouvintes a refletirem sobre o papel de cada cidadão. A participação política, seja como candidato ou eleitor, deve ser orientada pela busca da verdade, pela defesa da vida e pelo compromisso com a justiça social. A fé não pode ser usada para manipular consciências ou favorecer interesses particulares. Da mesma forma, a religião não deve ser afastada do compromisso com a realidade, como se a vida espiritual pudesse caminhar por uma estrada separada da vida social.

A mensagem central do episódio é que os cristãos leigos e leigas são chamados a assumir sua responsabilidade na construção de uma sociedade mais fraterna. Isso exige presença, diálogo, discernimento e coragem para transformar os valores do Evangelho em escolhas concretas. Ao tratar da participação dos leigos na vida pública, o terceiro episódio da série reafirma que a política pode ser um caminho de serviço. Quando orientada pelo cuidado com as pessoas e pela defesa do bem comum, ela se torna também uma expressão da fé vivida no cotidiano.

A série “A Política Melhor e a Cultura do Encontro” integra as ações de formação e conscientização relacionadas à Cartilha de Orientação Política 2026.

Escute o podcast no spotify  https://open.spotify.com/episode/3Q6osSSV1Ok8LO4d4cpftb?si=8UIpFgx2RUWrzhghqb4c5Q&utm_source=whatsapp

Escute também no YouTube https://youtu.be/AIWfEVRBv7c?is=L4u8S1JrtraBHjLr

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O projeto ‘Encantar a Política’ tem a proposta de compreender a política como serviço ao bem comum, ensino social, à dignidade humana e à defesa da Casa Comum. É uma iniciativa inspirada na Doutrina Social da Igreja e nas encíclicas Fratelli Tutti entre outras.