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Manual do Diálogo Eleitoral

Victor Terra

As eleições são a época mais desafiadora do ano para boas conversas, ainda mais no 2º turno. Durante as próximas semanas, você provavelmente vai sentir dificuldade de conversar com parentes, amigos e colegas de trabalho sobre alguns assuntos ligados à política, às propostas, aos valores e também às mentiras envolvendo candidatos da sua cidade que disputarão a fase decisiva para definir quem será o prefeito nos próximos 4 anos.

O problema é que é justamente nas eleições que mais precisamos de diálogo, bons argumentos e troca de ideias. Cada vídeo, áudio ou mensagem que você recebe no celular pode servir para ajudar, mas também atrapalhar na hora de falar ou ouvir alguém que discorda de você. Então, como fazer?

Este ano, a Lupa criou o Manual do Diálogo Eleitoral, série de conteúdos em texto e vídeo que te mostram como manter conversas políticas em um bom nível, seja em casa, na fila da padaria, no elevador do trabalho, na mesa do bar ou lá onde for, sobre diferentes temas ligados à política e às eleições sem perder a cabeça e a saúde.

#1. Fato x Opinião: o ‘X’ da questão

As eleições são a época mais desafiadora do ano para boas conversas, ainda mais no 2º turno. O problema é que esse momento é quando mais precisamos de diálogo, bons argumentos e troca de ideias. O Manual do Diálogo Eleitoral te mostra como manter conversas políticas em um bom nível, seja em casa, na fila da padaria, no elevador do trabalho, na mesa do bar ou lá onde for, sobre diferentes temas ligados à política e às eleições sem perder a cabeça e a saúde.

Fato ou opinião?

Para início de conversa, é fundamental deixar claro para a outra pessoa se vocês vão tratar de fatos ou de opiniões.  Afinal, muita gente ainda confunde uma coisa com a outra. Se estamos falando de opiniões, trata-se de visões subjetivas sobre determinado candidato ou tema, que podem variar de pessoa para pessoa.

Já se a conversa for baseada em fatos, aí é preciso recorrer a dados, informações e provas objetivas para os argumentos e as ideias que você e a outra pessoa pretendem defender.

Priorize a razão e deixe de lado a emoção 

Há espaço para tudo, mas em contexto eleitoral, se torna mais produtivo e seguro basear o diálogo nos fatos – objetivos e concretos – e não opiniões – muito ligadas às emoções e quase sempre distantes de uma conversa sustentada de forma racional.

Qual é o objetivo da conversa? 

Depois disso, pode ser útil refletir sobre qual é o objetivo da conversa: ter razão, poder escutar o outro e considerar seus argumentos ou convencê-lo de que seu candidato é o melhor a qualquer custo?

Seja qual for o caminho, o mais importante neste ponto é lembrar que a conversa deve ser produtiva, fazendo com que você respeite a escolha eleitoral do outro e que ele, do mesmo modo, possa respeitar a sua.

#2. Comunicação Não-Violenta

Em uma conversa, se você se sente atacado, ataca de volta? Provavelmente, a resposta é sim. Mas essa parece uma estratégia pouco produtiva em qualquer assunto, ainda mais se for política.

Comunicação Não-Violenta (CNV) pode ser boa saída. Já tentou?

Na prática, funciona assim:

1. Observe o contexto

Como a conversa se iniciou? Com outra pessoa dizendo que seu candidato é corrupto? Há espaço para que você também fale sobre o que pensa?

É a partir do contexto que as demais etapas terão condições ou não de acontecer. Antes de emitir sua visão, observe quem fala, sobre o que se fala e com que intenções? A ideia é debater propostas e visões ou apenas convencer outra pessoa de que o candidato A é superior do que o B?

2. Identifique sentimentos

Os sentimentos são gerados a partir de uma associação mental das nossas emoções. Essa associação é feita com base no nosso repertório, crenças, valores e experiências de vida.

Além disso, sempre por trás de um sentimento há uma necessidade. E nós temos a tendência de responsabilizar os outros pelo que sentimos.

Assim, perceba seus sentimentos e também aqueles que os outros parecem estar trazendo para esta conversa. De que forma isso é dito? De forma agressiva? Em voz alta? Em tom de brincadeira ou interesse ela escuta?

3. Informe as suas necessidades

Escutar é importante. Mas falar também tem papel decisivo quando você participa de um diálogo. Por isso, depois de identificar o contexto e os sentimentos envolvidos em você e nos demais, se manifeste explicitando que pontos são necessários para que a conversa faça sentido para você.

4. Comunique o que deseja de forma objetiva e concreta

Comunique sua visão e necessidade de forma objetiva e concreta, de preferência esperando que o outro, de fato, te escutará com atenção, considerando suas colocações, mesmo que sejam divergentes da visão que essa pessoa tem de um candidato ou de outro.

Em vez de se concentrar em divergências, a conversa pode girar em torno de soluções para problemas que todos reconhecem como importantes. Na política municipal isso costuma funcionar bastante!

Transporte, obras e manutenção das vias públicas podem ser bons exemplos…

Cadê o ônibus? 

Todos desejam um transporte coletivo e público acessível, seguro e confortável. O que poderia ser feito para aumentar a frota de ônibus? E para reduzir o valor da passagem? Os pontos de ônibus estão bem distribuídos? Que propostas afinal cada candidato está apresentando para esse assunto?

E as ruas? 

Ninguém gosta de calçadas mal iluminadas e de asfaltos esburacados. Como cobrar da prefeitura que isso seja feito? O apelo coletivo tende a fortalecer os pedidos. Se junte às pessoas da sua rua e de seu bairro para somar esforços na direção dessa demanda.

Tá. E se, no meio disso, alguém disser que o problema é falta de segurança? 

Saiba como diferenciar os assuntos e não confundir as questões. Vamos retomar ao ponto que é a solução dos ônibus e do calçamento das ruas? Ou podemos discutir a segurança pública, mas isso é outra história

#3. Polarização: desistir ou insistir?

Nos últimos anos, a polarização se tornou uma das marcas nos debates sobre política, seja nas redes sociais ou fora delas. Nos períodos eleitorais, isso se torna ainda mais delicado e prejudica principalmente você, eleitor.

Visões sobre assuntos complexos acabam sendo simplificadas como se só houvesse dois extremos possíveis: o lado bom e o lado ruim, o certo e o errado, o herói e o vilão, o cidadão de bem e o corrupto. Nesse clima, o diálogo entre eleitores se empobrece e, em alguns casos, se torna inviável. Afinal, nessa lógica – de intolerância e ódio – se o outro pensa diferente, então não deve ser ouvido e nem respeitado, mas silenciado, ignorado, destruído. E esse raciocínio não tem nada de democrático.

A intensidade das convicções e o acirramento das discussões – tudo isso atravessado por muita desinformação e discursos de ódio, alimentam um ciclo de desconfiança e impaciência. Fica difícil encontrar um terreno comum para começar uma conversa.

Mas será que dá para sair da polarização e manter uma conversa com o outro de forma construtiva?

É desafiador, mas dá! E a Lupa te mostra como fazer isso sem perder a amizade, a cabeça e a saúde.

1. Enfatize o respeito e a empatia

Por trás de opiniões divergentes, existem pessoas com experiências e valores diferentes. Promover um diálogo baseado no respeito e na empatia pode ajudar a reduzir a hostilidade e criar um espaço mais acolhedor para a troca de ideias.

2. Traga exemplos de situações próximas

Identificar e discutir questões que afetam o grupo ou a categoria da pessoa com quem você está falando pode ser um caminho promissor para tirar seu interlocutor de uma posição de defesa. Ao identificar falas emocionais, não confronte. Primeiro escute e depois rebata. Isso reduz a tensão e abre espaço para uma comunicação mais efetiva e menos combativa.

3. Incentive que o outro fale e exercite a escuta ativa

Ouvir nem sempre é escutar, principalmente quando o outro diz coisas com as quais não concordamos. A escuta ativa é a habilidade de ouvir atentamente, considerando de fato os pontos trazidos por quem está falando. Para isso, é preciso entender o contexto e as motivações por trás das visões, sejam elas baseadas em fatos ou em convicções e opiniões.

4. Evite a demonização do outro

A tendência de demonizar o opositor pode intensificar a polarização e criar barreiras ao diálogo. Em vez disso, é importante tratar as pessoas com diferentes opiniões como colegas em um debate, buscando compreender seus pontos de vista e argumentos.

5. Saia das bolhas das redes sociais

Espaços como as plataformas e redes sociais nos fazem consumir conteúdos em bolhas – ambientes fechados em que só vemos e somos vistos por usuários que têm uma visão parecida com a nossa. Independente de sua posição política, enfrentar a polarização exige um esforço coletivo para cultivar um ambiente de diálogo respeitoso e produtivo.

6. Reconheça e questione seus próprios preconceitos e convicções

Ser consciente de nossos próprios julgamentos e estereótipos que fazemos dos outros pode ajudar a manter uma abordagem mais objetiva e menos reativa durante um debate sobre política. Questionar nossas próprias crenças e estar aberto a novas informações é crucial para manter um diálogo equilibrado e que resulte em novas ideias e reduza a polarização e o ódio ao diferente.

7. Aceite as divergências 

As bolhas contribuem muito para que isso não aconteça. Muito se fala sobre resiliência hoje em dia, mas no diálogo polarizado ela pouco aparece. A internet e, mais particularmente, as redes sociais, são ambientes que podem promover bons diálogos, mas também estimular a intolerância com o diferente.

Na política, saber lidar com o diferente é condição fundamental para fazer valer a democracia. Se todos agissem e pensassem da mesma forma, não haveria diversidade no mundo e estaríamos desperdiçando nosso potencial afetivo e criativo. Afinal, a diferença amplia as visões, promove novas ideias e estimula a evolução da sociedade na direção de condições cada vez melhores.

#4. Liberdade de expressão

Apesar das nítidas descrições, o conceito de liberdade de expressão permanece sendo objeto de dúvida e, por vezes, distorção, dentro e fora das redes sociais. Assim também acontece com os seus limites, pouco claros para muita gente – especialmente em época de campanhas e disputas eleitorais. E aí, a conversa e o debate sobre diferentes candidatos e pontos de vista, pode se tornar ainda mais desafiadora.

Por isso, confira alguns pontos-chave podem te ajudar a fazer desse tipo de diálogo, um momento menos agressivo e mais útil, para você e para o outro.

1. O que é liberdade de expressão?

Este é o primeiro passo a dar: entender com clareza o que significa falar em “liberdade de expressão”. Mesmo que pareça não haver consenso no Brasil, há uma definição clara, baseada na Constituição Federal.

A liberdade de expressão é um direito fundamental de todo cidadão. No artigo 5º, que trata do tema, o inciso IV define que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. No bom e claro português, isso significa que você pode dizer ou explicitar o que pensa, desde que assuma as consequências disso. Assim, se disser algo que tenha caráter racista, por exemplo, responderá pelo ato, que neste caso é criminoso. A lei também diz,  que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Está no inciso IX.

2. Na prática, ter liberdade de expressão significa…

…ter o direito de compartilhar opiniões sem censura, mas não significa ausência de limites para isso. Ou seja, comentários que incitem violência, promovam discurso de ódio ou desinformação não estão protegidos por esse direito. Nas redes sociais, é comum ver discussões acaloradas, mas é importante saber distinguir entre a liberdade de manifestar uma opinião e a disseminação de informações prejudiciais.

3. Se é liberdade, não posso dizer o que quiser?  

Sim, mas liberdade não pressupõe falta de limite. Em uma perspectiva filosófica e ética, a liberdade pode se dar dentro do conjunto de princípios que estão pactuados pelo coletivo. Agir com liberdade seria, então, aquilo que se pode fazer sem infringir outros direitos e sem avançar sobre aquilo que a sociedade definiu como condutas possíveis ou não.

Isso pode até mudar de tempos em tempos. E, de fato, muda. Mas existe um combinado, e ele precisa ser cumprido para que os demais benefícios da democracia sejam possíveis – entre eles, a própria eleição.

Traduzindo um pouco do “juridiquês”, podemos dizer algo como: todo direito constitucional tem um limite. Qual? O respeito ao exercício dos demais direitos, comuns a todos e definidos coletivamente pelas leis. Isso porque, os direitos são interdependentes, portanto, não há um quando o outro é violado.

4. Recapitulando até aqui

Em qualquer contexto, o limite da liberdade de expressão é o limite da violação de direitos. Incitação à violência e racismo violam direitos, são crimes. Logo, tudo que é crime, não é liberdade de expressão.

5. Bolhas das redes sociais

E se por um lado as redes parecem ampliar as liberdades e o acesso à informação, por outro têm mostrado que podem ser uma ameaça real à própria democracia. Vivemos tempos de mediação algorítmica. Na prática, isso quer dizer que a maior parte dos conteúdos que o usuário recebe em sua conta não são escolhidos por ele, mas pelas plataformas. Assim, temos uma liberdade de expressão mais aparente do que real, com um circuito de informações que circulam em bolhas – sistemas fechados e isolados uns dos outros.

Nesse contexto – sobretudo durante períodos eleitorais – é comum encontrar publicações que desconsideram os limites e transformam a liberdade de expressão em salvo-conduto para promover gestos discriminatórios e discursos de ódio. Cuidado!

LEIA MAIS: Liberdade de expressão: entender o conceito e seus limites é decisivo para não distorcer o tema.  

6. Desinformar não é liberdade de expressão

Além disso, a liberdade de expressão não pode ser usada como justificativa para a disseminação de conteúdos falsos. Um exemplo comum é o compartilhamento de informações manipuladas sobre pesquisas eleitorais para influenciar a opinião pública. Sabe quem se prejudica nessa história? O eleitor!

Muitos candidatos e eleitores acabam se apropriando da ideia de liberdade de expressão, mas produzem, consomem e compartilham conteúdos em que o que está em jogo é a defesa da liberdade para cometer crimes sem responsabilização.

7. Expressão pode ser caminho para validar agressão   

A liberdade de expressão, quando mal utilizada, pode levar à polarização e ao silenciamento de vozes. Nas redes sociais, vemos frequentemente que discussões políticas acabam se tornando agressivas, e os argumentos racionais são trocados por ataques pessoais. Nessas situações, é importante que cada pessoa se esforce para manter o respeito e a empatia, criando um ambiente onde pontos de vista diferentes possam coexistir sem que as pessoas sintam medo de se expressar. Por exemplo, em uma discussão sobre propostas de governo, ao invés de desqualificar a opinião do outro, podemos fazer perguntas que ajudem a esclarecer os pontos de divergência.

8. Como promover a liberdade de expressão de maneira saudável nas eleições?

Para que a liberdade de expressão contribua para um processo eleitoral democrático, é necessário promover diálogos que respeitem a diversidade de opiniões. Um exemplo simples seria criar regras básicas de convivência em grupos de discussões políticas nas redes sociais, como evitar ofensas pessoais e priorizar a troca de argumentos embasados em dados e fatos e não em opiniões pessoais. Isso produz ambientes em que todos possam se expressar livremente sem temer represálias ou agressões verbais.

#5. Teorias da conspiração

Nos últimos anos, as teorias da conspiração se tornaram ferramentas poderosas para desinformar em períodos eleitorais. Através de histórias fantasiosas, sem comprovação em dados ou na realidade, este tipo de narrativa captura a atenção e o lado emocional dos eleitores.

1. O que são teorias da conspiração?

Teorias da conspiração são explicações alternativas, geralmente infundadas, para eventos ou situações, sugerindo que há um grupo secreto manipulando fatos ou controlando o resultado. No contexto eleitoral, isso pode aparecer como acusações de fraude ou manipulação por elites ocultas. Um exemplo comum em eleições é a crença de que resultados eleitorais são fraudulentos, mesmo sem provas, criando desconfiança no processo democrático.

Para que você saiba lidar com esse tipo de “argumento” em um diálogo sobre política e eleições, a Lupa te mostra alguns caminhos. Confira.

2. Identifique a tentativa de criação de um “inimigo”

Uma das principais estratégias de argumentos conspiratórios é a criação da figura do inimigo. Em períodos eleitorais e em tempos de super polarização, dois personagens clássicos no imaginário da política e da sociedade brasileira são a figura do “comunista” – suposto inimigo da Esquerda e do “fascista” – suposto inimigo da Direita.

A partir dessas referências, que estão sempre ligadas com ideias e emoções binárias (bom e mau, heroi e vilão, ladrão e cidadão de bem), uma pessoa tende a culpar determinada figura ou grupo específico por determinados problemas ou ameaças, quase sempre infundadas – ou seja, sem base em comprovações reais, com lastro em dados, informações científicas ou provas legais.

3. Observe se há tom dramático e chocante

Normalmente ligadas a temas sensíveis, as histórias conspiratórias costumam ser apelativas, usando linguagem dramática e imagens chocantes. E não é à toa. Este tipo de estratégia dificulta o raciocínio crítico e facilita a evocação de emoções como a dúvida, a insegurança e o medo em que está ali envolvido no diálogo, que pode ser você, inclusive. O resultado disso é o crescimento das polarizações, o aumento da intolerância e a redução da capacidade de escuta.

4. Perceba se há falas que atacam instituições, autoridades e a ciência

Conspirações também contribuem para minar a confiança em instituições e autoridades, inclusive o próprio processo eleitoral, desde os órgãos reguladores como o Supremo Tribunal Eleitoral (TSE), passando pelos candidatos e suas campanhas, até chegar à descrença de que o funcionamento das urnas pode ser adulterado e que os resultados de uma eleição são uma fraude.

As conspirações, que muitas vezes são usadas como estratégias pelos próprios candidatos, também têm se voltado para tópicos como o formato do Planeta Terra, vacinas, crise climática, questões de gênero e religiões de matriz africana.

O ponto é: nada disso acaba comprovado, ficando sempre no campo da especulação. Por isso, busque sempre levar a conversa para esse ponto, fortalecendo informações científicas e instituições de referência no tema que você está tratando.

5. Entenda o funcionamento das redes 

Por fim, é estratégico observar o cenário onde tudo isso acontece: a internet. Plataformas e redes sociais, com seus diferentes espaços e formas de interação, se tornaram terrenos férteis para a propagação de teorias conspiratórias. Devido ao caráter apelativo, as conspirações chamam atenção dos usuários, geram engajamento e passam a ser impulsionadas pelos algoritmos das plataformas, fazendo com que se espalhem mais rapidamente entre novos usuários, num efeito de bola de neve.

fonte: Agência Lupa

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