Política está presente nas escolhas de cada dia, afirma artigo da Paróquia Nossa Senhora do Carmo

por Vívian Marler / Projeto Encantar a Política
Texto de Eduardo Brasileiro integra a série “Construindo Democracia” e apresenta a política como modo de viver e ação pública. A política não acontece somente nas eleições, nos parlamentos ou nos gabinetes dos governantes. Ela também está presente nas escolhas cotidianas, na maneira como as pessoas se relacionam, cuidam umas das outras e participam da construção da vida em comunidade.
Essa é a reflexão apresentada no artigo “O que é política?”, de autoria de Eduardo Brasileiro, publicado pela Paróquia Nossa Senhora do Carmo, de Itaquera, dentro da série “Construindo Democracia”. O texto parte de uma afirmação simples e, ao mesmo tempo, provocadora, todo ser humano é político. Mesmo quem acredita não se envolver com política participa dela diariamente, seja por meio de suas escolhas, valores, posicionamentos ou pela forma como se relaciona com o mundo.
De acordo com o artigo, a política pode ser compreendida em duas dimensões. A primeira é a ‘política como modo de viver’. Essa dimensão está relacionada às escolhas pessoais, aos valores e à maneira como cada pessoa trata os outros. Também envolve o sonho de construir um mundo melhor e a busca pelo bem comum.
O artigo ressalta que uma política boa é aquela construída em comunidade e que considera o bem de todos. Esse “todos”, no entanto, não se limita às pessoas mais próximas. Inclui os pobres, os injustiçados, as futuras gerações e toda a criação. A reflexão dialoga com o pensamento do Papa Francisco, que insistiu na importância de uma humanidade capaz de superar a indiferença e reconhecer que ninguém deve ser deixado para trás.
A segunda dimensão apresentada por Eduardo Brasileiro é a ‘política como ação pública e organização da sociedade’. Nesse campo estão prefeitos, vereadores, governadores, deputados, senadores e o presidente da República, além dos movimentos sociais, organizações da sociedade civil, pastorais e igrejas. Todos, de alguma forma, participam das decisões que interferem na vida coletiva.
Essa compreensão amplia o olhar sobre a política. Ela não é responsabilidade exclusiva dos representantes eleitos. A sociedade também possui um papel fundamental na discussão dos problemas, na fiscalização das ações públicas e na construção de propostas que respondam às necessidades da população.
A pergunta principal, segundo o artigo, não deveria ser apenas “quem faz política?”, mas ‘para quem a política é feita?’
O texto lembra que uma vida digna, com direitos garantidos, exige mais do que boas intenções. É necessário que existam políticas públicas capazes de transformar esses direitos em realidade. Saúde, educação, moradia, saneamento básico, geração de trabalho, desenvolvimento econômico e proteção social são apresentados como áreas que dependem diretamente das decisões políticas.
Também é por meio das políticas públicas que a sociedade pode enfrentar problemas como o racismo e o feminicídio, além de promover mais igualdade e proteção para as pessoas em situação de vulnerabilidade. Na prática, isso significa que decisões tomadas pelos governos interferem no cotidiano de milhões de brasileiros. Quando uma unidade de saúde funciona, quando uma criança tem acesso à escola, quando uma família conquista moradia ou quando uma comunidade recebe saneamento, existe uma escolha política por trás.
Da mesma forma, quando esses direitos são negados, a população também precisa perguntar quais decisões levaram a essa realidade e quem deve ser responsabilizado.
Ao abordar a relação entre Igreja e sociedade, o artigo afirma que a Igreja incentiva, historicamente, a participação dos cristãos na construção de uma sociedade mais justa. Essa participação pode acontecer nas pastorais, nas comunidades, nos movimentos sociais, nas organizações populares e em diferentes espaços de atuação cidadã.
Para o autor, construir uma sociedade mais justa não é uma atividade distante da fé. Pelo contrário, é uma forma concreta de vivê-la, especialmente quando essa atuação coloca no centro a defesa da vida, a dignidade humana e o cuidado com os mais pobres.
O texto da série “Construindo Democracia” contribui, assim, para superar a ideia de que política é assunto apenas de políticos. A política também é feita por quem participa da comunidade, acompanha as decisões públicas, defende direitos e trabalha para que o bem comum alcance todas as pessoas.
O artigo de Eduardo Brasileiro oferece uma reflexão importante para tempos em que a palavra política costuma ser associada apenas a conflitos, escândalos e disputas eleitorais. Ao lembrar que todos fazemos política, mesmo sem perceber, o texto convida cada pessoa a olhar para suas próprias escolhas e para sua responsabilidade na construção da sociedade.
A pergunta que fica é direta, ‘a política que praticamos em nossas relações e defendemos nas urnas contribui para uma vida digna para todos?’
A série “Construindo Democracia”, publicada pela Paróquia Nossa Senhora do Carmo, de Itaquera, propõe que essa e outras perguntas sejam debatidas nas comunidades. Leia o artigo de Eduardo Brasileiro neste link Artigo Construindo Democracia_Eduardo Brasileiro
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O projeto ‘Encantar a Política’ tem a proposta de compreender a política como serviço ao bem comum, ensino social, à dignidade humana e à defesa da Casa Comum.