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Podcast da CNBB Sul 2 destaca papel da Igreja na formação política e na defesa do bem comum

Podcast da CNBB Sul 2 destaca papel da Igreja na formação política e na defesa do bem comum

por Vívian Marler / Projeto Encantar a Política

No primeiro episódio da série “A Política Melhor e a Cultura do Encontro”, Dom Geremias Steinmetz afirma que ser cristão e ser cidadão são realidades inseparáveis

A participação da Igreja Católica na sociedade não se limita aos espaços litúrgicos. Ela também se expressa na defesa da dignidade humana, na proteção dos mais vulneráveis, na promoção da educação, na luta pela paz e no compromisso com políticas públicas que garantam uma vida digna para todos.

Essa foi uma das principais reflexões apresentadas no primeiro episódio da série de podcasts “A Política Melhor e a Cultura do Encontro”, iniciativa do Regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB Sul 2, para aprofundar os temas da ‘Cartilha de Orientação Política 2026’.

A série terá dez episódios, publicados semanalmente, sempre às quintas-feiras. O primeiro programa recebeu o arcebispo de Londrina (PR) e presidente da CNBB Regional Sul 2, Dom Geremias Steinmetz. A entrevista foi conduzida pela jornalista Karina de Carvalho Nadal, da CNBB Regional Sul 2, com a participação do jornalista Jorge Teles, da Diocese de Guarapuava.

Logo no início da conversa, os apresentadores reforçam a proposta da série: ajudar os cidadãos a compreenderem melhor a política e a participarem do processo eleitoral de maneira consciente e responsável. A motivação parte de uma convicção apresentada no podcast, ser cristão e ser cidadão são duas realidades inseparáveis.

Ao responder se a Igreja deve falar sobre política, Dom Geremias recorda que a missão eclesial está profundamente relacionada ao serviço e ao diálogo com o mundo.

Segundo o arcebispo, o Concílio Vaticano II ajudou a Igreja a renovar sua relação com a sociedade e a compreender que o Evangelho também oferece uma contribuição para os desafios concretos do seu tempo.

A presença da Igreja se manifesta, por exemplo, na proteção de pessoas vulneráveis, na educação, nas instituições de caridade, nas pastorais sociais e em tantas iniciativas voltadas à promoção da vida.

“O Evangelho é um serviço para a sociedade”, afirma Dom Geremias ao explicar que a Igreja não se fecha em si mesma, mas procura colocar sua mensagem a serviço das pessoas e da construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.

Para o arcebispo, esse serviço precisa estar acompanhado do diálogo. É por meio dele que a Igreja pode contribuir para a busca de soluções diante dos problemas sociais.

Entre os temas que fazem parte dessa contribuição estão a democracia, a transparência, as políticas públicas, a saúde, a moradia, a questão da terra, a água, o meio ambiente, a ecologia integral e a defesa dos povos indígenas e das comunidades quilombolas.

Um dos pontos mais importantes da entrevista é a distinção entre a atuação da Igreja na sociedade e a política partidária.

Ao falar sobre política, a Igreja não deve defender candidatos, partidos ou ideologias específicas. Sua missão é apresentar valores que brotam do Evangelho e que podem contribuir para o bem comum.

Dom Geremias cita, como exemplo, a defesa da paz. Embora seja um valor central para a fé cristã, a paz não interessa apenas aos católicos. Ela é uma necessidade de toda a humanidade, especialmente diante das guerras, dos conflitos e das divisões que atingem diferentes povos.

A mesma compreensão se aplica à justiça, à dignidade humana, à solidariedade, à transparência e à defesa dos direitos sociais. São valores que podem orientar a sociedade, independentemente da religião de cada pessoa. “Todos os políticos são convocados e deveriam lutar sempre pelo bem comum”, afirma o arcebispo.

A Igreja, portanto, não entra na disputa partidária, mas não pode permanecer indiferente diante de decisões que afetam a vida das pessoas. Seu compromisso é ajudar a formar consciências e incentivar escolhas responsáveis.

A entrevista também apresenta a ‘Doutrina Social da Igreja’ como uma forma concreta de participação no debate público. Dom Geremias explica que a Doutrina Social reúne documentos e orientações que ajudam a compreender como o Evangelho pode iluminar questões sociais, econômicas e políticas. Mas suas raízes são ainda mais antigas e podem ser encontradas na própria Bíblia.

O arcebispo recorda a atuação dos profetas, que denunciavam as injustiças cometidas pelos governantes e defendiam os mais pobres. A missão profética, segundo ele, mostra que a fé nunca foi indiferente ao sofrimento do povo.

A formulação mais sistemática da Doutrina Social da Igreja ganhou força no final do século XIX, com a encíclica ‘Rerum Novarum’, do Papa Leão XIII, publicada em um contexto de exploração dos trabalhadores durante a Revolução Industrial.

A partir dela, outros documentos passaram a refletir sobre trabalho, economia, justiça social, desenvolvimento, meio ambiente e fraternidade. Entre as referências atuais estão a Laudato Si’, sobre o cuidado com a Casa Comum, e a Fratelli Tutti, sobre a fraternidade e a amizade social.

Durante o podcast, Dom Geremias também menciona os desafios provocados pelas novas tecnologias e pela inteligência artificial, destacando a necessidade de garantir que esses avanços não resultem em novas formas de exploração ou desumanização.

Ao tratar do discernimento eleitoral, o arcebispo destaca que a escolha não deve ser orientada apenas pelo dinheiro, por interesses pessoais ou por promessas imediatas. É necessário conhecer a trajetória do candidato, seus serviços prestados à sociedade, suas propostas e sua compreensão sobre a vida coletiva.

A pergunta não é apenas se determinada pessoa parece simpática ou se fala bem. É preciso saber se ela tem compromisso com o bem comum e se está preparada para exercer uma função pública.

Dom Geremias recorre a duas passagens bíblicas para aprofundar essa reflexão: a Torre de Babel e a reconstrução dos muros de Jerusalém, narrada no livro de Neemias. A primeira recorda uma sociedade que perde o diálogo e se desintegra. A segunda apresenta a força de uma comunidade que se organiza e trabalha em conjunto para reconstruir sua cidade.

Para o arcebispo, as duas imagens ajudam a pensar a democracia como um caminho de diálogo, participação e construção coletiva. Em vez de uma sociedade fragmentada, marcada pela imposição e pela incompreensão, é necessário buscar caminhos comuns para reconstruir o bem comum.

Outro tema abordado é a participação dos cristãos leigos e leigas na vida pública. Dom Geremias afirma que o lugar próprio dos leigos são as realidades do mundo: a família, o trabalho, a empresa, a saúde, a educação, a segurança pública e os diferentes espaços onde a sociedade se organiza.

É nesses ambientes que homens e mulheres leigos podem colocar em prática os valores do Evangelho e contribuir para a transformação da realidade.

Aos padres, bispos e demais ministros ordenados cabe uma missão diferente: formar, orientar e ajudar o povo de Deus a compreender sua responsabilidade social. A Igreja pode e deve oferecer instrumentos de formação, como a Cartilha de Orientação Política 2026 e a própria série de podcasts.

Ao mesmo tempo, Dom Geremias reforça que os ministros ordenados devem se abster da atuação político-partidária, preservando o espaço próprio da participação dos leigos.

O primeiro episódio de “A Política Melhor e a Cultura do Encontro” apresenta a política como uma dimensão essencial da cidadania e como uma oportunidade concreta de praticar o amor ao próximo.

Ao propor uma formação acessível, a CNBB Regional Sul 2 busca alcançar pessoas em diferentes momentos do cotidiano: no trabalho, no carro, durante uma caminhada ou em casa. A escolha pelo formato de podcast amplia as possibilidades de acesso e aproxima o debate político da vida real.

A série terá dez episódios, publicados semanalmente, sempre às quintas-feiras. Cada programa pretende aprofundar um dos temas apresentados na Cartilha de Orientação Política 2026.

O convite é para que os ouvintes acompanhem os episódios, compartilhem os conteúdos e levem as reflexões para suas comunidades, pastorais, grupos e famílias.

Afinal, como recorda a entrevista, a política não é assunto apenas de candidatos. Ela diz respeito a todos nós. ‘Participar conscientemente das eleições é também assumir responsabilidade pelo futuro da sociedade e pela vida das pessoas mais vulneráveis’.

Abaixo o podcast :

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O projeto ‘Encantar a Política’ tem a proposta de compreender a política como serviço ao bem comum, ensino social, à dignidade humana e à defesa da Casa Comum. É uma iniciativa inspirada na Doutrina Social da Igreja e nas encíclicas Fratelli Tutti entre outras.