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Revista Casa Comum chega à 15ª edição convocando o leitor a olhar para as Eleições 2026 como uma disputa por direitos, territórios, soberania e futuro

Revista Casa Comum chega à 15ª edição convocando o leitor a olhar para as Eleições 2026 como uma disputa por direitos, territórios, soberania e futuro

por Vívian Marler / Projeto Encantar a Política

Há momentos em que votar parece pouco. Não porque o voto tenha perdido sua importância, mas porque a democracia, quando ameaçada por dentro e por fora, exige mais do que a presença diante da urna. Exige memória, discernimento, coragem e participação. É a partir dessa compreensão que a 15ª edição da ‘Revista Casa Comum‘, referente aos meses de abril, maio e junho de 2026, chega ao público com uma pergunta que atravessa todas as suas páginas, que tipo de país estará sendo escolhido nas Eleições 2026?

Sob o título “A esperança equilibrista vai às urnas”, a publicação transforma o processo eleitoral em uma oportunidade de refletir sobre os rumos da sociedade brasileira, sem esconder os riscos, as contradições e as forças que disputam o futuro do país.

A imagem da esperança equilibrista, aquela que caminha sobre uma corda estreita, entre o abismo e a possibilidade de seguir adiante, traduz com precisão o espírito da edição. De um lado, aparecem a desinformação, o avanço de discursos autoritários, a violência política, a crise climática, a concentração econômica, a manipulação das plataformas digitais e os projetos legislativos que podem restringir direitos. De outro, estão as mulheres organizadas, os povos indígenas, os movimentos negros, os trabalhadores, as crianças, as periferias, os coletivos populares, a ciência, a educação cidadã e as comunidades que continuam demonstrando que a política também pode nascer de baixo para cima. A revista não trata a esperança como espera passiva. Ao contrário, apresenta-a como uma prática coletiva, construída por pessoas que se recusam a aceitar a injustiça como destino.

Com uma linha editorial assumidamente comprometida com os direitos humanos, a democracia e a justiça socioambiental, a ‘Casa Comum’ oferece uma leitura política do Brasil de 2026. Não é uma edição neutra, no sentido tradicional do termo. É uma revista que toma posição ao lado da participação popular e dos grupos historicamente excluídos dos espaços de poder. Essa escolha, porém, não diminui a relevância da publicação; ao contrário, deixa claro de onde ela fala e quais perguntas deseja provocar. Ao reunir análise, reportagem, entrevista, memória, dados, cultura e formação, a edição apresenta as eleições não como um simples calendário institucional, mas como um campo de disputa entre projetos de sociedade. O leitor é convidado a compreender que as decisões tomadas nas urnas repercutem na mesa das famílias, nos territórios indígenas, nas escolas, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos rios, nas florestas, nas periferias e na vida cotidiana.

Essa escolha editorial é coerente com toda a edição. A revista não deseja apenas ser lida. Deseja ser utilizada. Quer sair das estantes, circular nas comunidades, provocar encontros e ajudar grupos a compreender que a política não é uma atividade exclusiva de candidatos ou parlamentares.

A força da 15ª edição está em não apresentar a esperança como uma palavra decorativa. A esperança da ‘Casa Comum‘ tem mãos, rosto, território e memória. Ela aparece nas mulheres negras que estudam a Constituição; nos povos indígenas que defendem o Tapajós; nos trabalhadores que lutam contra a escala 6×1; nas crianças que opinam sobre suas cidades; nos cientistas que enfrentam o negacionismo; nas periferias que denunciam a violência; nos movimentos que pressionam o Congresso; nas comunidades que resistem à fome e à devastação.

O grande mérito da publicação é mostrar que as Eleições 2026 não podem ser acompanhadas apenas pelo resultado das pesquisas ou pela propaganda dos candidatos. É necessário observar quais projetos defendem a vida, quais propostas ampliam direitos, quais discursos estimulam o ódio, quem controla a informação, quem se beneficia das mudanças legais e quais grupos continuam sendo tratados como invisíveis.

A esperança equilibrista vai às urnas porque sabe que o caminho é estreito. Ela conhece os riscos, reconhece as fraturas e não ignora o cansaço. Ainda assim, insiste em caminhar. E talvez essa seja a principal mensagem da revista, a democracia não é uma obra pronta, nem uma garantia permanente. Ela precisa ser defendida todos os dias no voto, na informação, na participação comunitária, na fiscalização dos eleitos, na defesa dos territórios e na disposição de não deixar que decidam o futuro sem a presença do povo.

As urnas serão importantes. Mas a democracia começará antes delas e continuará depois. O voto pode escolher representantes; a participação popular é que poderá transformar representantes em instrumentos de um projeto coletivo de país.

A 15ª edição da ‘Revista Casa Comum’ chega, portanto, como leitura necessária para quem deseja atravessar o ano eleitoral com mais consciência. Não oferece respostas fáceis, nem promete segurança em tempos de instabilidade. Oferece perguntas e, sobretudo, oferece caminhos para que cada leitor compreenda que ainda há muito a fazer.

Porque, no fim, a esperança não é aquela que espera parada. É a que se equilibra, respira fundo e continua.

LEIA AS MATÉRIAS NA INTEGRA, no link Revista Casa Comum – RCC 15 

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O projeto ‘Encantar a Política’ tem a proposta de compreender a política como serviço ao bem comum, ensino social, à dignidade humana e à defesa da Casa Comum. É uma iniciativa inspirada na Doutrina Social da Igreja e nas encíclicas Fratelli Tutti entre outra