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‘Boto Fé no Voto’ comunidades de fé se unem pela verdade e pelo voto consciente

Boto Fé no Voto: comunidades de fé se unem pela verdade e pelo voto consciente

Vívian Marler / Projeto Entantar a Política

A mensagem que chega pelo celular nem sempre corresponde à realidade. Pode trazer uma fotografia antiga apresentada como atual, uma fala verdadeira retirada do contexto, um vídeo manipulado ou uma acusação sem qualquer comprovação. Quando esse conteúdo circula dentro de uma comunidade de confiança, o seu alcance pode ser ainda maior.

É diante desse desafio que nasceu a campanha “Boto Fé no Voto – Eu escolho a verdade” ( https://botofenovoto.org.br/ ), uma iniciativa que convida igrejas, comunidades de fé, organizações da sociedade civil, comunicadores, educadores e cidadãos a enfrentar a desinformação nas Eleições 2026.

O lançamento ocorreu em 30 de julho, na Catedral Anglicana de Brasília, durante uma roda de diálogo sobre o papel da informação verdadeira na construção da democracia. A campanha reúne organizações ecumênicas e entidades da sociedade civil comprometidas com a participação cidadã, a defesa dos direitos humanos e o fortalecimento do diálogo democrático.

A proposta parte de uma realidade conhecida por muitas comunidades, igrejas e espaços religiosos são lugares onde as pessoas compartilham não apenas a fé, mas também dúvidas, preocupações e informações sobre a vida cotidiana. Essa confiança pode contribuir para a construção de uma sociedade mais solidária e participativa. Porém, também pode ser explorada pela mentira quando conteúdos falsos são repassados sem verificação.

Por isso, a campanha chama as comunidades de fé a assumirem uma tarefa concreta, ajudar a interromper a circulação de informações enganosas e incentivar uma postura mais cuidadosa diante do que se recebe e compartilha.

A iniciativa não pretende dizer ao eleitor em quem votar. Seu compromisso é anterior à escolha de um candidato: garantir que essa escolha seja feita com base em informações verdadeiras, verificadas e apresentadas com responsabilidade. O lema da campanha expressa uma decisão simples, mas necessária: antes de encaminhar uma mensagem, é preciso verificar. Antes de acreditar em uma acusação, é preciso buscar a fonte. Antes de transformar uma opinião em certeza, é preciso reconhecer que o debate público exige responsabilidade.

A campanha alerta que a desinformação não pertence a um único partido, grupo, religião ou ideologia. Informações falsas ou enganosas podem ser produzidas e compartilhadas por diferentes pessoas e setores. Por esse motivo, o projeto se apresenta como apartidário e afirma que os conteúdos devem ser analisados com o mesmo rigor, independentemente de quem possa ser beneficiado por eles.

Essa postura é importante porque combater a mentira não pode significar trocar uma manipulação por outra. A defesa da verdade exige coerência, transparência e disposição para corrigir informações falsas em qualquer campo político.

O voto é uma escolha individual, mas nunca é uma decisão sem consequências coletivas. Ele define representantes, influencia políticas públicas e ajuda a determinar os caminhos do país. Para que o voto seja realmente livre, o eleitor precisa ter acesso a informações confiáveis. Quando a mentira ocupa o lugar dos fatos, a liberdade de escolha fica comprometida. A pessoa pode acreditar que está decidindo por conta própria, quando, na realidade, está reagindo a uma informação manipulada.

É nesse ponto que a campanha aproxima comunicação, cidadania e democracia. Não basta pedir que o eleitor vote. É necessário ajudá-lo a compreender o que está sendo apresentado, quem produziu determinada informação, qual é sua fonte e quais interesses podem estar por trás dela.

Ao longo das Eleições 2026, a campanha prevê a realização de rodas de diálogo, encontros de formação e a produção de materiais educativos, vídeos, podcasts, cards e conteúdos digitais. A intenção é oferecer instrumentos para que as comunidades possam conversar sobre democracia e participação cidadã; ética na comunicação; – responsabilidade no uso das redes sociais; identificação de informações falsas ou enganosas; respeito às diferenças; importância da checagem antes do compartilhamento.

Mais do que ensinar técnicas de verificação, a proposta é cultivar uma atitude. Em tempos de excesso de informações, escolher a verdade também significa desacelerar, ouvir com atenção e admitir que nem tudo o que confirma uma opinião pessoal corresponde aos fatos. Na Amazônia, onde a comunicação comunitária e a confiança entre lideranças e moradores têm papel fundamental, a campanha pode encontrar um campo fértil de atuação.

As notícias sobre grandes projetos, povos indígenas, meio ambiente, mineração, direitos sociais e políticas públicas frequentemente circulam de maneira fragmentada ou distorcida. Uma informação falsa pode aumentar conflitos, alimentar preconceitos e enfraquecer a capacidade de participação das comunidades. Por isso, fortalecer a educação para a comunicação é também fortalecer a defesa da democracia e dos territórios. A verdade não é apenas uma exigência do debate eleitoral; é uma condição para que as pessoas possam compreender a realidade e participar das decisões que afetam suas próprias vidas.

O ‘Boto Fé no Voto’ não pede que as comunidades abandonem suas convicções. Ao contrário, convida cada tradição religiosa a colocar seus valores a serviço da responsabilidade, da justiça, do respeito ao próximo e do bem comum. A campanha lembra que a democracia não se sustenta apenas nas instituições. Ela também depende das escolhas diárias de milhões de pessoas, na forma como cada cidadão conversa, compartilha, discorda e participa.

Em um período marcado pela velocidade das redes e pela disputa de narrativas, escolher a verdade pode parecer um gesto pequeno. Mas, quando assumido por comunidades inteiras, esse gesto ajuda a proteger o debate público contra a mentira e a manipulação.

Nas Eleições 2026, o convite da campanha é direto: antes de votar, informar-se; antes de compartilhar, verificar; antes de acusar, ouvir; antes de escolher, refletir. ‘Boto Fé no Voto. Eu escolho a verdade’.

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O projeto ‘Encantar a Política’ tem a proposta de compreender a política como serviço ao bem comum, ensino social, à dignidade humana e à defesa da Casa Comum. É uma iniciativa inspirada na Doutrina Social da Igreja e nas encíclicas Fratelli Tutti entre outras.